Sabe quais são os cães de raça Portuguesa?

As raças portuguesas encontram-se bastante concentradas no território nacional, tendo começado a conquistar a Europa nos últimos anos. Todas elas são de origem muito antiga, tendo sido utilizadas maioritariamente na pastorícia, o que levou à sua conservação durante os anos e à preservação genética das raças durante todo esse tempo. Para além das raças ligadas às funções de caça, guarda de rebanho e pastoreio, existem também algumas que já são reconhecidas como excelentes cães de companhia por serem muito inteligentes, dóceis, e fáceis de lidar.

Na Federação Cinológica Internacional (FCI), organismo que se encarrega de reger e fomentar a cinologia em todo o mundo, temos actualmente oito raças reconhecidas e devidamente documentadas. No entanto, no Clube Português de Canicultura, entidade cinológica nacional reconhecida pela FCI e encarregue por gerir os Livros de Origens Portugueses (LOP), temos actualmente onze raças de origem portuguesa reconhecidas.

  1. Cão da Serra de Aires
  2. Cão de Fila de São Miguel
  3. Cão da Serra da Estrela
  4. Cão de Castro Laboreiro
  5. Rafeiro do Alentejo
  6. Podengo Português
  7. Perdigueiro Português
  8. Cão de Água Português
  9. Barbado da Terceira
  10. Cão de Gado Transmontano
  11. Cão do Barrocal Algarvio

Cão da Serra de Aires

Origem: Portugal - Serra d`Aires em Monforte, Alentejo.
Utilização: Cão de pastor.
Altura: machos 45 a 55 cm, fêmeas 42 a 52 cm.
Peso: entre 11 a 30 kg.

Aspecto Geral: Tamanho médio, extremamente ágil e rápido. Pêlo comprido, liso ou ondulado, e áspero. Pode ser de cor amarelo, castanho, cinza, preto, fulvo, lobeiro, mais ou menos afogueados e interpolado. Não tem sub-pêlo (característica única no mundo nos cães de pastor).

Comportamento: Activo e brincalhão. É tímido e reservado (podendo ser contrariado com uma boa socialização em cachorro). Muito inteligente, vigilante, e de uma dedicação extrema ao dono/pastor.

Ideal para: Cão de companhia bastante activo (necessita de muito exercício físico) e, ao mesmo tempo, um cão de guarda. Fácil de treinar devido à sua inteligência, e um excelente amigo para as crianças (mantendo sempre a devida supervisão).

Curiosidades: Recebe a alcunha de “cão macaco” visto ser portador de algumas características e expressões que se assemelham a um primata.

Cuidados a ter: Necessita de ser escovado apenas uma vez por semana ou a cada quinze dia de forma a não eriçar o pêlo, o que torna a sua manutenção menos exigente. Precisa de muito exercício físico portanto são necessários passeios regulares e frequentes.

Cão de Fila de São Miguel

Origem: Portugal – Ilha de São Miguel, Açores.
Utilização: Cão de pastor.
Altura: machos 50 a 60 cm, fêmeas 48 a 58 cm.
Peso: entre 20 a 35 kg.

Aspecto Geral: Porte médio/grande, mais comprido que alto, robusto e musculado. De aspecto rústico e pelagem forte, lisa e densa, e sempre raiada, podendo ser fulva, cinzenta ou amarela. Pode ainda apresentar uma malha branca no peitoral ou patas.

Comportamento: Inteligente e vivaz, pelo que tem facilidade em aprender. Extremamente dominante, deverá ser educado desde o nascimento e socializado. Óptimo cão de guarda, dócil e fiel à familia, mas desconfiado e alerta perante estranhos (o que pode ser confundido com agressividade).

Ideal para: Cão de guarda e/ou de defesa pessoal. Não é recomendado a iniciantes devido à sua natureza dominante, ainda mais potenciada pela sua pujança física e carácter vincadamente independente e autónomo.

Curiosidades: Conhecido como o “cão vaca” pelas pessoas da região Já foi adoptado pelas forças de segurança pública como elemento das equipas cinotécnica.

Cuidados a ter: Estar sempre vigilante na interacção do animal com estranhos, devido à sua natureza dominante e protectora, expondo-o desde cedo à socialização com pessoas e outros animais.

Cão da Serra da Estrela

Origem: Portugal - Serra da Estrela
Utilização: Cão de protecção de rebanhos, de guarda e companhia, utilizado também como animal de tracção.
Altura: machos 65 a 73 cm, fêmeas 62 a 69 cm.
Peso: entre 35 a 60 kg.

Aspecto Geral: Grande molossóide de tipo mastim. Pelagem comprida ou curta (esta última mais rara), forte e muito abundante. Pelagem unicolor de cor amarela, fulvo ou cinza, pode ainda ser tigrado ou lobeiro, exibindo manchas brancas nas extremidades, base do pescoço ou peitoral. É bem proporcionado, com um andar vivo e aparência robusta e imponente.

Comportamento: Um inseparável companheiro do pastor e protector corajoso e fiel do rebanho. É um animal muito territorial e dominante, extremamente desconfiado com desconhecidos mas muito meigo e afectuoso com a sua família.

Ideal para: Terreno ou quintal espaçoso pois necessita de bastante espaço, com muita liberdade de movimentos, onde ele possa exercer a sua protecção e vigia. Independente, óptimo para donos que passem muitas horas fora. O dono deverá ser capaz de impor liderança. Passeios longos são aconselháveis como forma de exercicio.

Curiosidades: É a mais internacional das raças portuguesas e também aquela que apresenta mais registos no Clube Português de Canicultura.

Cuidados a ter: O pelo comprido requer escovagens diarias e o curto semanais. Banhos deverão ser evitados, visto que danificam a oleosidade protectora da pele. Devido ao porte grande, poderá desenvolver displasia da anca.

Cão de Castro Laboreiro

Origem: Portugal – Castro Laboreiro, Melgaço
Utilização: Cão de guarda, de vigilância e protecção de rebanhos
Altura: machos 58 a 64 cm, fêmeas 55 a 61 cm
Peso: entre 25 a 40 kg

Aspecto Geral: Aspecto rústico e vigoroso. O pêlo é curto, liso, e muito espesso. Apresenta uma pelagem raiada, onde a cor predominante é o cinzento-lobo (lobeiro), em que pode apresentar tonalidades mais claras ou escuras, sendo a última mais frequente.

Comportamento: Leal e dócil para a sua família, é muito ágil e activo, constantemente atento e vigilante devido à sua função de guarda. É muito desconfiado na presença de estranhos, o que pode levar a alguma hostilidade. Tem um ladrar de alerta muito característico, com uma transição de um tom do mais grave para tons mais agudos.

Ideal para: Famílias que procurem um cão de guarda para a defesa de propriedade.

Curiosidades: Muito polivalente, tendo-se sobressaído em diferentes funções. Foi usado como cão policia e militar no Corpo de Fuzileiros em Portugal.  Foi utilizado com cão-guia e obteve o título de Campeão do Mundo de Agility na década de 1990. A cor cinzenta-lobo (lobeiro) é a mais difundida e a cor preferida é a “cor do monte”, assim denominada e considerada pelos criadores da região de Castro Laboreiro como uma característica da raça.

Cuidados a ter: O dono tem que ser fime e assertivo com este cão de temperamento forte (não adequado a iniciantes). Adapta-se a ambientes citadinos, mas requer um bom nível de exercício físico. O exercício deverá ser moderado em jovem para não ter consequências na estrutura óssea em desenvolvimento.

Rafeiro do Alentejo

Origem: Portugal – Alentejo
Utilização: Cão de guarda de propriedades e rebanhos
Altura: machos 66 a 74 cm, fêmeas 64 a 70 cm
Peso: entre 35 a 60 kg

Aspecto Geral: Grande porte, possante e rústico, em que a sua estrutura se distingue por ser mais comprido que alto. Pelagem curta ou de comprimento médio, espessa, lisa e muito densa. Cor preta, lobeira, fulva ou amarela, tigrada ou não, sempre com manchas brancas.

Comportamento: É territorial e dominante, podendo ser agressivo com estranhos que entram na sua propriedade. É um excepcional cão de guarda, corajoso e destemido, estando especialmente vigilante durante o período nocturno. Com a família é calmo, dócil e leal, mesmo com crianças. Não é muito sociável com outros animais, sendo que isso pode ser ultrapassado apresentando-os desde cedo.

Ideal para: Terreno ou propriedade e que necessitem de um bom cão de guarda. É necessário que seja um dono experiente devido ao seu comportamento dominante e teimoso.

Curiosidades: É um animal com amadurecimento tardio: só a partir dos 4 anos é que se comportam como adultos. Devido ao êxodo rural e a desertificação do interior na década de 80, o número de exemplares atingiu um mínimo histórico. Neste momento, recuperou a sua popularidade, sendo registados anualmente entre 200 a 500 exemplares, sendo mantidos como companheiro e cão de guarda.

Cuidados a ter: Devido ao seu comportamento dominante e teimosia, esta raça não é aconselhável para donos inexperientes. Em jovem o exercício deve ser moderado para não desenvolver problemas na estrutura óssea.

Podengo Português

Origem: Portugal
Utilização: Cão de caça, de guarda e de companhia.
Altura: Pequeno – 20 a 30cm; Médio – 40 a 54 cm; Grande – 55 a 70 cm
Peso: Pequeno – 4 a 5 kg; Médio – 16 a 20 kg; Grande – 20 a 30 kg

Aspecto Geral: Existem três tamanhos (pequeno, médio e grande) e dois tipos de pelagem (liso, cerdoso). Pêlo amarelo, fulvo, em todas as tonalidades do claro ao escuro, podendo ainda conter manchas brancas. Pode ainda apresentar cores como o preto e o castanho. Ele é um animal muito rápido, ágil, com uma constituição sólida e musculado.

Comportamento: Vivo, brincalhão, muito sociável com pessoas e outros animais. A sua agilidade torna-o num caçador nato que, aliado à sua inteligência e instinto territorial, tornam-no num óptimo companheiro de brincadeiras mas também com constante protecção e vigilante para a iminência de perigo.

Ideal para: Famílias com crianças, que procurem um cão sociável e cuidadoso, principalmente com os mais pequenos, e que este possa viver dentro de casa (sendo que o espaço tem de ser apropriado ao porte do animal).

Curiosidades: Muito versátil, tendo sido utilizado em variados filmes e séries televisivas americanas como “Zeus e Roxanne”, “Três Desejos”, “O Cume de Dante”, “Soccer Dog” e “Secondhand Lions”. O Podengo Médio é também conhecido por “cão de tapada”, consequência da sua aptidão natural para a caça ao coelho, sendo que este pode caçar em matilha ou sozinho. Foi seleccionado a partir do séc. XV para servir de rateiro nas caravelas da marinha portuguesa.

Cuidados a ter: Devido ao seu instinto de caça, é preciso ter-se cuidado com a presença de animais mais pequenos como coelhos e hamsters. É um animal que necessita de muito contacto com alguém, não gosta de estar sozinho, o que faz com que se possa tornar barulhento caso isso não se verifique. É uma raça muito activa e irrequieta, pelo que não se aconselha passeios sem trela ou locais com muitos estímulos sensoriais.

Perdigueiro Português

Origem: Península Ibérica
Utilização: Cão de caça
Altura: machos 56 a 60 cm, fêmeas 52 a 64 cm
Peso: entre 16 a 27 kg

Aspecto Geral: Porte médio, estrutura corporal quadrada, robusto mas movimenta-se com passada fácil e leveza de movimentos. A pelagem que exibe é curta, dura, bastante cerrada e densa. A cor mais comum é a amarela, entre tonalidades clara, média e escura. Também pode ter malhas brancas na cabeça, pescoço, peito, e membros.

Comportamento: Meigo e afectuoso, rústico e capaz de uma grande resistência e de uma grande devoção. É calmo e bastante sociável, mas um tanto petulante para com outros cães.

Ideal para: Famílias com crianças, que procurem um cão sociável e cuidadoso, principalmente com os mais pequenos, e que este se adapte bem à vida citadina.

Curiosidades: Ganhou o seu nome devido à sua elevada utilização, pelo povo, para a caça de perdiz.

Cuidados a ter: Cuidado ao apresentá-lo a cães que lhe sejam estranhos. Visto que é um animal extremamente vivo e energético, passeios diários são indispensáveis para descarregar toda a energia e também para se exercitar.

Cão de Água Português

Origem: Portugal - Algarve
Utilização: Companheiro na faina da pesca e no cobro e cão de companhia.
Altura: machos 50 a 57 cm, fêmeas 43 a 52 cm
Peso: entre 16 a 25 kg

Aspecto Geral: Porte médio e com uma estrutura harmoniosa nas suas proporções, compacto e bastante musculado. Pelagem longa e ondulada com pêlo mais brilhante, e ainda pelagem curta e encarapinhada de pêlo mais opaco. Esta é caracterizada por ser uma pelagem espessa mas macia. As cores podem variar entre totalmente preto, branco ou castanho, podendo apresentar manchas brancas em pêlo preto ou castanho.

Comportamento: Excepcionalmente inteligente, compreende e obedece facilmente às ordens. Activo e curioso, é muito resistente à fadiga e é um exímio nadador. É capaz de mergulhar e nadar debaixo de água para recuperar objectos. A sua corrida é muito energética e galopante (semelhante à de um cavalo).

Ideal para: Famílias com crianças que possuam na sua propriedade uma piscina ou que procurem um cão brincalhão e aventureiro. Grande adaptabilidade a qualquer casa. Ideal para pessoas que possuam algum tipo de alergia ou sensibilidade devido às suas características hipoalergénicas.

Curiosidades: O presidente Obama adoptou uma cadela desta raça, tornando-a mascote da Casa Branca e popular nos EUA. Foi considerada no Livro do Guinness de 1981 a raça mais rara do mundo. Consegue fechar as narinas e travar a respiração quando mergulha, mas expele ar para descompressão sempre que necessário.

Cuidados a ter: O pêlo requer cuidados constantes. Após mergulhar, os seus ouvidos devem ser limpos para evitar inflamações. Não é muito independente, necessita muito do dono. Como tem muita energia, requer exercício.

Barbado da Terceira

Origem: Portugal – Ilha Terceira, Açores
Utilização: Cão de condução de gado por excelência, cão de guarda, cão de companhia.
Altura: machos 52 a 58 cm, fêmeas 48 a 54 cm
Peso: entre 21 a 30 kg

Aspecto Geral: Porte médio, com uma estrutura sólida e musculada, permitindo uma boa impulsão, mas extremamente ágil. Pelagem é comprida, abundante e ligeiramente ondulada, de cor amarela, cinzenta, preta, fulvo e lobeiro, nas tonalidades claro, comum e escuro. Pode conter malhas brancas na zona do peito, ventre e na ponta da cauda.

Comportamento: Fiel ao dono, muito meigo com a família, com enorme instinto de protecção. Também se destaca pela sua grande capacidade de aprendizagem devido à sua inteligência e adaptabilidade.

Ideal para: Óptimo cão de companhia, com a versatilidade de que também é cão de guarda. Adapta-se bem a ambientes mais citadinos.

Curiosidades: Recebe o seu nome devido ao pêlo farto na zona mandibular. Provavelmente evoluiu de cães trazidos pelos povoadores a partir do Séc. XV e que eram utilizados na recolha de gado bravo. A raça detém algumas características semelhantes a outras raças, tais como: Bouvier de Flandres, o Briard, o Bouvier das Ardenas, o Bobtail, o Serra de Aires, entre outros.

Cuidados a ter: Muito activo, pelo que necessita de passeios regulares para descarregar energias e exercitar.

Cão de Gado Transmontano

Origem: Portugal – Trás-os- Montes
Utilização: Cão de guarda e protecção de gado ovino e caprino.
Altura: machos 75 a 85 cm, fêmeas 68 a 78 cm
Peso: entre 50 a 75 kg

Aspecto Geral: Porte grande, com aspecto rústico e imponente, mas de passada é ligeira e energética. Pêlo liso e muito denso, sendo que na região da cabeça, orelhas, chanfro e membros o pêlo é mais fino e curto. A pelagem mais comum é branca, malhada de preto, de amarelo, de fulvo ou lobeiro. Também pode exibir pelagem unicolor como fulvo, amarelo ou lobeiro, podendo também ser raiadas.

Comportamento: Temperamento dócil, calmo e reservado. Excepcional na sua função de guarda de rebanhos contra o ataque de lobos. Perante o contacto com outras pessoas estranhas, ultrapassada a sua desconfiança inicial, é um cão que é muito meigo.

Ideal para: Grandes propriedades com muito terreno exterior. Não se adapta a viver em casas pequenas.

Curiosidades: É a raça portuguesa com maior estatura e corpulência.

Cuidados a ter: Evitar o exercício excessivo em cachorro para evitar problemas ósseos. É uma raça habituada a campos íngremes e temperaturas baixas, condições da região em que é predominante.

Cão do Barrocal Algarvio

Origem: Portugal
Utilização: Cão de caça menor e maior.
Altura: machos 48 a 58 cm, fêmeas 45 a 55 cm
Peso: entre 15 a 25 kg

Aspecto Geral: Porte médio, com aspecto rústico e característico porte de cauda em cimitarra (espécie caracol). Energético e ágil, com andamento fácil e rápido. Pêlo liso e denso, de comprimento médio. As cores mais comuns são o fulvo, amarelo, castanho, preto, e cinzento, em todas as tonalidades, unicolores ou malhadas. Também podem ser tricolores, raiadas ou interpoladas, sendo que estas últimas são menos comuns.

Comportamento: Sendo um cão de caça por excelência, extremamente resistente, rápido e ágil. É muito dócil por natureza e de maneio fácil, também graças à sua inteligência e vivacidade.

Ideal para: Famílias que procurem um cão muito sociável, meigo e brincalhão, à semelhança do Podengo Português.

Curiosidades: Nome originario da zona do Barrocal Algarvio, caracterizada por elevações calcárias designadas barrocos. Na decada de 1960 esteve à beira da extinção devido a introdução em massa de cães de outras raças. Ao longo dos anos, tem sido identificado por caçadores e outras pessoas da região como cão “abandeirado”, “fraldado”, “felpudo” ou “gadelhudo” devido a forma e porte da sua cauda e ao pêlo meio comprido e macio.

Cuidados a ter: Energético e vivo, pelo que passeios frequentes são altamente aconselháveis.

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