Socialização de cães e gatos

Se tem um cão ou gato deve preocupar-se seriamente com a socialização. Sem ela o seu animal poderá crescer com fobias e medo, que podem ser a causa de agressão.

Por isso é importante que faça um condicionamento positivo do animal a novas situações. O treino consiste em apresentar o animal a um leque variado de experiências e fornecer-lhe guloseimas e mimos para que as associe a algo positivo.

O que é socialização?

A socialização é o período em que o dono deve ensinar o seu cão ou gato a comportar-se no mundo. Por isso é importante que seja apresentado a pessoas, cães, gatos e outros animais.

A socialização é um período de rápida mudança no comportamento do animal. Ocorre maturação do sistema nervoso central e controlo completo da percepção e resposta a estímulos

Neste período são desenvolvidos comportamentos sociais, relações e vínculos com uma figura. No mesmo período também deverá ocorrer habituação a estímulos ambientais. Uma boa socialização permite o animal incorporar a sua espécie e o humano na estrutura social.

Como socializar o cão e o gato?

Quando o animal é exposto ao mundo pela primeira vez pode ser assustador. Ele precisa de aprender quais situações são perigosas e quais não são. Se situações normais provocam medo ao animal e este não for corrigido, pode ficar com fobia para o resto da sua vida.

Para tal é preciso aprender a conviver com todo o tipo de pessoas e animais. Por isso deverá criar uma rotina de apresentar o seu animal a outros animais e pessoas. Não basta expor a apenas um. Deve ser exposto a um elevado número de pessoas e animais, para que aprenda a tolerar todo o espectro da população.

Qual a importância da socialização?

A socialização permite que o animal se desenvolva num adulto saudável. Falta de socialização pode resultar em fobias graves e agressividade por medo. O animal que não aprendeu a lidar com outros animais pode perseguir outras espécies.

O medo de estranhos pode levar a comportamento agressivo, o que se torna um problema grave podendo por a vida do cão em risco. Por isso é importante que seja desenvolvida confiança nos humanos e não apenas no dono.

Esta facilita durante as visitas ao veterinário, ao groomer ou ou se algum dia se perder e depender da ajuda de estranhos para retornar a casa. No caso dos cães, estes procuram o dono para avaliar a situação e devem confiar nele para tomar as decisões.

Por isso, é importante que o dono ingresse activamente na socialização do cão. Deverá ensiná-lo a responder correctamente a estímulos. O medo ou excesso de entusiasmo sem correcção poderá manter-se para a vida. Logo, se deseja ter um animal de confiança, educado e feliz deverá insistir na sua socialização.

Quando se inicia a socialização?

Uma vez que a socialização se inicia cedo, é importante que os criadores introduzam as crias a experiências positivas. O dono deverá continuar o treino ao longo da vida. Isto trará benefícios para toda a vida do animal.

A socialização deve ser uma actividade agradável tanto para o dono como para o animal. Como utiliza condicionamento, é bom que o animal associe as novas experiências da socialização a algo positivo. Isso faz com que no resto da vida se mantenha calmo em situações estranhas.

Socialização activa e passiva

A socialização deverá ser activa. A socialização passiva ocorre quando o animal é exposto aos estímulos sem participação do dono. O dono não faz associação positiva através de mimos e guloseimas.

Pelo contrário, na socialização activa o dono procura que o animal goste do novo estímulo. Oferece-lhe mimos e guloseimas para que passe a associar a situação a algo positivo. Assim o cão desenvolve-se de forma saudável.

Dicas para a socialização de cães e gatos:

  • O dono deve manter-se calmo e paciente, não deverá nunca castigar o animal;
  • Sempre e apenas quando o animal se mantém calmo face ao estímulo, o dono deve recompensá-lo com mimos e guloseimas;
  • Se o animal estiver nervoso ou excitado afaste-o até relaxar;
  • Escolhas pessoas e animais calmos para apresentar ao seu cão ou gato;
  • Nunca force a interacção, deixe que o animal procure conhecer o estranho;
  • A socialização deve ser divertida para o dono e para o animal.

Socialização canina

Aprender a ser cachorro

Ás 3 semanas os cachorros tornam-se activos e curiosos. O seu interesse pelo desconhecido-o torna-os mais corajosos do que apreensivos. Esta característica de exploração decresce gradualmente e mantém-se até às 8 semanas.

Enquanto brincam com os irmãos de ninhada aprendem lições importantes. Aprendem como comunicar, como morder suavemente e como funcionam as relações de dominante-submisso.

Por exemplo, quando um cachorro morde outro com força, o seu companheiro gane e foge ou morde-lhe em resposta. Ambos os casos são negativos para o primeiros cachorro: se morder com força a brincadeira acaba ou recebe uma mordida de volta.

A mãe também educa os cachorros. Quando o cachorro é bruto a brincar ou se torna impertinente a cadela disciplina-o. Fá-lo rosnando ou utilizando posturas dominantes ou reprimendas físicas.

Entre as 8 e 10 semanas os cachorros tornam-se sensíveis a novas experiências e contextos. O grau de nervosismo e medo varia com o indivíduo, mas o período (8 a 10 semanas) é consistente em todos os cães. Portanto os donos deverão ter especial cuidado para não expor o cachorro a estímulos que os possam assustar.

Como socializar cães?

O período de socialização de cães ocorre principalmente entre as 3 e 12 semanas. Os cachorros só deverão ser adoptados após as 8 semanas. Neste período a socialização consistirá principalmente na interacção com a mãe e irmãos de ninhada.

É importante para que aprenda regras sociais e como controlar a mordida. O cachorro aprende quais são os comportamentos naturais do cão. O criador deverá complementar esta educação apresentando o cachorro a pessoas e animais para iniciar a socialização.

Quando recebe o cachorro, é responsabilidade do dono socializa-lo correctamente para que se desenvolva num adulto saudável.  A socialização continua é positiva e permite manter relações sociais. Em cães, pensas-se que é benéfico que se mantenha durante todo período juvenil.

Em cachorros, o ideal é passea-lo, leva-lo de carro e fazê-lo conhecer um leque variado de pessoas e animais. Nestes é ideal a inscrição numa escola de treino desde jovens. Neste período o treino de obediência é mais fácil uma vez que o cachorro aprende mais depressa. E permite expor o cão a outros animais e fortalecer o laço com o dono.

Brincar com cães calmos e controlados

O ideal é que o cachorro seja exposto a cães calmos para que não fiquem com medo e convivam pacificamente. Pode procurar estes cães entre os seus amigos ou observando o comportamento de cães no parque.

O ideal é que o cão não assuste o seu cachorro. Deverá estar num local sossegado. Os cães deverão brincar sob a sua supervisão até se cansarem. Se o seu cachorro está demasiado excitado, deverá afastá-lo calmamente do companheiro de brincadeira.

Sempre que ele se portar mal na brincadeira, afaste-o do outro cão. Não levante a voz nem se chateie. Simplesmente afaste-o e repita quantas vezes necessárias. Assim o cachorro aprenderá que quando for bruto a brincadeira acaba. Como gosta de brincar, passará a controlar a sua força e excitação. Repita o convívio 2 a 3 vezes por semana.

Construa associações positivas

O ideal é fornecer guloseimas durante o passeio quando o cão é exposto a uma situação nova. Deverá parar longe do estimulo, fazer com que se concentre no dono e dar-lhe a guloseima. Só deverá fornecer a guloseima se o cão se mantiver calmo.

Quanto às pessoas, poderá pedir o seu auxilio no treino. Aproxime-se de uma pessoas e peça-lhe que faça festas ao cachorro e lhe ofereça uma guloseima. Este ritual deverá ser seguido 2 a 3 vezes por semana.

Se o cão ficar com medo ou latir afaste-o e quebre a sua atenção. O dono deverá manter-se sempre calmo e as guloseimas deverão ser apenas oferecidas como recompensa ao bom comportamento.

Deverá treinar o cão apresentado-o a uma diversidade de situações como:

  • Veículos:
    • Motos e bicicletas;
    • Trotinetes e skates;
    • Camiões do lixo;
    • Autocarros;
    • Camiões.
  • Pessoas:
    • Mulheres e homens;
    • Várias etnias;
    • Vários acessórios: chapéus, bengalas, oculos-escuros, carrinhos de bebé, etc;
    • Fardas;
    • Crianças, adultos e idosos;
    • Multidões.
  • Animais
    • Cães grandes e pequenhos;
    • Machos e femeas;
    • Gatos;
    • Outros animais de estimação: coelhos, hamsters, tartarugas, iguanas, etc;
    • Animais de quinta ou selvagens: pombas, galinhas, patos, etc.

Socializar cães adultos

Quando adopta um animal adulto, a socialização torna-se mais complicada. O ideal é começar por um passeio. Observe como o cão reage de longe a cada situação. Tal como com o cachorro, deverá recompensá-lo quando se portar bem. Quando reagir mal, simplesmente afaste-o mantendo-se calmo.

Pode apresenta-lo a um cão de cada vez. Por exemplo passear com um amigo que também tenha um cão. Não deverá forçar o seu cão a interagir com os outros animais.

Se ele estiver nervoso, afaste-o e mantenha-se calmo. Poderá aproximar-se aos poucos para o cão ganhar confiança com a situação. O treino não será tão rápido e eficaz como no cachorro. No entanto é possível ensinar um cão adulto a tolerar estímulos.

Socialização felina

Aprender a ser gato

O período de socialização no gato é mais curto e menos definido do que no cão. Ocorre entre a 2º e a 7º a 9º semanas de idade. Através da interacção com os irmãos e com a mãe aprendem comportamentos sociais, caça e comunicação.

Espantosamente, os gatinhos conseguem aprender ao observar a mãe a realizar uma tarefa. Este poderá ser o motivo pelo qual uma mãe gata meiga com humanos encoraja os gatinhos a interagir com pessoas.

Em gatos há, por vezes, sessões de treino. Estas permitem expor o gatinho a novas pessoas e outros gatinhos, e interagir com brinquedos. A experiência é positiva e pode ter benefícios a longo prazo como habituar o gato a fazer viagens de carro, uma vez que as associa a algo positivo.

Socializar o gato

É necessário que se percam alguns minutos por dia com os gatinhos nas primeiras 5 semanas de idade. Esta interacção permite que matutem em adultos mais sociáveis.

Para socializar um gato medroso siga as seguintes dicas:

  • Acaricie o gato e fale-lhe com uma voz baixa e calma. Se o gato ficar nervoso deverá deixa-lo em paz.
  • Forneça guloseimas sempre que o gato se portar bem.
  • Brinque com o gato várias vezes ao dia.
  • Traga os seus amigos a casa e deixe que o gato procure conhece-los. Não force a interacção.
  • Apresente-o a outros gatos dos seus amigos, principalmente se o seu gatinho for jovem.

Socializar o seu gato com um novo gato

Se pretende socializar o seu gato com um novo felino que adoptou pode ter alguma dificuldade. Os gatos são animais originalmente solitários e territoriais que durante a domesticação passaram a tolerar a vida em colónia.

O seu gato considera a casa como o seu território, portanto a introdução do novo membro felino deve ser cuidada e lenta. Deverá ter uma caixa de areia para cada gato, sendo o ideal ter uma para cada gato e uma extra (leia mais sobre a caixa-de-areia aqui).

As taças da ração e água também deverão ser separadas. Inicialmente pode optar por manter os gatos separados em duas divisões da casa e ir rodando para se habituarem ao cheiro. Apresente-os diariamente sob supervisão.

Inicialmente poderá manter o gato novo dentro da caixa de transporte, evitando assim lutas. Quando tiver mais confiança apresente-os soltos e separe-os. Gradualmente aprenderão a aceitar-se e a ter um convívio pacífico. Muitos gatos até se tornam grandes amigos.

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