Uveíte canina e uveíte felina: tudo o que precisa de saber

Uveíte em cães e uveíte em gatos: o que é?

Quando se fala em uveíte em cães e gatos normalmente fala-se a uveíte anterior: a inflamação da parte frontal do interior do olho (iris e corpo ciliar). A uveíte facilmente instala-se no olho à mínima agressão e poderá ter consequências na saúde do olho e geral. Poderá tratar-se de uveíte unilateral quando afecta apenas um olho, ou uveíte bilateral quando afecta ambos os olhos.

No entanto não existe apenas a uveíte anterior. Com uma referência menos comum, a uveíte posterior é a inflamação da parte posterior do interior do olho (coroide) e a panuveíte é a inflamação de todo o interior do olho.

 

Diferenças entre a uveíte canina e uveíte felina

A uveíte em gatos e a uveíte em cães é muito semelhante. As diferenças colocam-se em diferentes causas primárias e nos factores de risco. A uveíte felina pode aparecer em qualquer idade e sexo, no entanto apresenta maior frequência em machos e nas idades entre os 7 e 9 anos. A uveíte canina poderá relacionar-se com quistos da iris nos Golden Retrievers, síndrome uveodermatológico (uveíte anterior, dermatite e perda de pigmentação) no Husky Siberiano, Akita, Samoiedo e Pastor Shetland aparecendo principalmente entre os 2 a 3 anos.

 

Sinais de uveíte canina e felina

Os sinais da uveíte canina e felina são simples de compreender. A inflamação do interior do olho apresenta-se como qualquer inflamação, com presença de células inflamatórias, vermelhidão, dor e vascularização. Como consequência da inflamação nos tecidos do olho poderão observar-se:

  • Córnea turva (edema da córnea) ou com vasos sanguíneos (vascularização);
  • Dor no olho (bleferospasmo – piscar o olho; coçar);
  • Fotofobia (evitar a luz);
  • Olho vermelho;
  • Secreção ocular liquida ou mucosa;
  • Perda de visão;
  • Pupila contraída;
  • Inchaço da irís;
  • Perda de pressão no olho;
  • Cicatriz entre a iris e a lente;
  • Precipitados e partículas no interior do olho;
  • Pús (hipópion) e sangue (hifema) no interior do olho;
  • Cataratas, luxação da lente, glaucoma secundário na uveíte crónica.

 

Causas da uveíte canina e felina

A uveíte em cães e gatos poderá aparecer por si só (uveíte primária) ou como consequência de outras doenças (uveíte secundária). A uveíte secundária é mais frequente. No caso das causas infecciosas, a supressão imune durante alguns tratamentos (corticos nas doenças auto-imunes ou cancro) e a localização geográfica poderão ser factores de risco. Assim, as causas e factores de risco da uveíte em gatos e cães são:

  • Gatos: fungos (ex. Blastomices), Toxoplasma, bactérias por septicemia, viral (FIV, FeLV, coronavírus), parasítico;
  • Cães: fungos (ex. Blastomices), prozoarios (Neospora, Leishmania), rickettesias (Ehrlichia), bactérias (Leptospira), virais (Tosse do Canil), parasitas;
  • Idiopática: invasão por células inflamatórias (auto-imune), nos cães por síndrome uveodermatologica ou reacção pós vacinação;
  • Aumento patológico dos lípidos ou proteínas em circulação;
  • Reacção por lesão da lente;
  • Uveíte do Golden Retriever;
  • Cancro;
  • Hipertensão;
  • Trauma do olho;
  • Lesões na córnea;
  • Toxemia;
  • Doença peridontal.

 

Tratamento da uveíte em cães e gatos

O tratamento da uveíte é feito em casa sem internamento e com a aplicação de colírio para a uveíte canina ou felina. A excepção ocorre no caso de doenças graves que causem uveíte que poderão necessitar de internamento. É recomendado reduzir a exposição à luz para reduzir a dor.

 

Cirurgias na uveíte em cães e gatos

As cirurgias não são muito utilizadas no tratamento da uveíte comum. São utilizadas em casos específicos para tratar as causas primárias, como através da remoção da lente rupturada ou correcção do glaucoma secundário, ou remoção do olho (enucleação) quando ocorre cancro da iris ou no glaucoma secundário grave.

 

Tratamento médico da uveíte em cães e gatos

Normalmente é utilizada medicação a ser administrada pelo dono no tratamento da uveíte canina e felina. Os esteroides tópicos (em colírio), como a prednisolona, deverão são aplicados pelo dono 4 a 6 vezes ao dia e nunca serem interrompidos de forma abrupta. Como alternativa, os esteroides (ex. metilprednisolona) poderão ser aplicados pelo veterinário por injecção na conjuntiva do olho para tratar a uveíte grave, posteriormente aplicando-se esteroides tópicos ou sistémicos.

A aplicação de esteroides sistémicos como a prednisolona (injectável ou oral) só deverá ser feita na uveíte primária, uma vez que poderá potenciar as infecções existentes por causar imunossupressão. Em alternativa, utilizam-se anti-inflamatórios não esteroides (flurbiprofeno, diclofena) tópicos ou sistémicos por via tópica, oral ou injectável estando principalmente indicados para a uveíte secundária.

Na uveíte secundária, não se deve esquecer o tratamento da causa primária da qual resultou a uveíte. Por outro lado, na uveíte primária reincidente será necessário passar de esteroides para outros medicamentos imunossupressores, como a azatioprina ou ciclosporina, para evitar as consequências da administração prolongada de esteroides.

Midríacos, como a atropina, são aplicados no olho 1 a 2 vezes por dia para dilatar a pupila e reduzir a dor. A aplicação oral de atropina poderá resultar em salivação.

 

Seguimento

O seguimento deverá ser realizado entre 3 a 7 dias da primeira consulta, dependendo da severidade da uveíte. Durante o período de recuperação, é necessário fazer a medicação regular da pressão intra-ocular para detectar o glaucoma secundário precocemente. O controlo a longo-prazo é feito por consultas frequentes e espaçadas no tempo.

 

Prognóstico da uveíte felina e canina

O prognóstico é reservado para o olho afectado, dependendo da resposta ao tratamento e da doença causadora da uveíte. Em doenças tratáveis, como a toxoplasmose nos gatos, o prognóstico é bom. Nos cães, o prognóstico é reservado.

A uveíte poderá ter complicações como o glaucoma secundário, cataratas secundárias, luxação da lente e perda de tecido do globo ocular, bem como complicações sistémicas (podendo até causar a morte). Por isso, se suspeita desta doença deverá sempre consultar o seu médico veterinário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *