Abatidos milhões de visons na produção de pelo por infeção com o vírus da COVID-19

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Perto de 100.000 visons foram abatidos numa quinta em Árgon, Espanha, enquanto cerca de 1 milhão já foram abatidos na Holanda devido a preocupações com o COVID-19, reporta The Guardian. Suspeita-se que o vírus tenha entrado nas instalações através de colaboradores infetados. Investigações ainda estão a decorrer para avaliar a transmissão entre animais e humanos, e vice-versa.

Os visons são uma espécie animal utilizada na pecuária para a produção de pelo devido ao seu pelo lustroso. Semelhantes aos furões, a pecuária destes animais também levanta críticas relativas à criação de animais para pelo. Para além da questão ética, a libertação acidental de visons para o ambiente pode ameaçar espécies autóctones portuguesas, como a lontra e o toirão.

A Holanda reporta que foram identificadas 25 quintas de produção de pelo afetadas. Pensa-se que a transmissão aos visons tenha ocorrido através de dois colaboradores infetados em abril. O abate dos visons afetados começou a decorrer em julho devido a preocupações sanitárias.

Na Dinamarca, já se confirmam casos em quatro produções de visons. Em Espanha, uma produção foi afetada em maio, confirmando-se sete trabalhadores como positivos para COVID-19. Testes decorridos em julho demonstram a infeção de 87% dos visons, levando à decisão de proceder ao abate.

Um estudo publicado na Science demonstra que os furões, da família dos visons (Mustelídeos), podem ser infetados por SARS-COV-2. O vírus causador da COVID-19 replica-se no trato respiratório superior dos furões sem causar doença severa ou morte. O seu papel na transmissão do vírus entre animais e a humanos ainda é desconhecido.

A indústria do pelo já tinha estado sob ataque por várias organizações defensoras dos direitos dos animais. A decisão de abolir o uso de pelo é suportada por marcas como a Prada, Michael Kors, Gucci, Armani, e Hugo Boss. A possível transmissão do SARS-COV-2, causador da COVID-19, a estes animais vem motivar a necessidade de reduzir ou até banir este tipo de produção. A curto-prazo, recomenda-se o reforço das medidas sanitárias em vigor.

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Joana C. Prata, Msc., tem um mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade do Porto e é fundadora d’O Meu Animal. Sempre viveu rodeada de animais, tendo agora como companheiros dois gatos (a Rita e o Romeu), três cadelas (a Kami, a Inês e a Pota), uma tartaruga (o Nicholas) e uma colónia com cerca de dez gatos. Neste momento faz investigação na Universidade de Aveiro, como aluna de doutoramento e bolseira em Biologia e Ecologia das Alterações Globais, onde tenta identificar fatores ambientais que possam ter impacto na saúde humana, animal e dos ecossistemas.

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