Como alimentar o gato para melhorar o bem-estar, saúde e comportamento?

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himalaia

Os gatos domesticaram-se ao aproximar-se de populações humanas onde os roedores, as suas presas, eram abundantes devido às reservas de alimento. Nesse momento, tornaram-se também mais tolerantes a outros gatos, vivendo em colónias.

Desde então, os gatos tornaram-se companheiro inseparáveis do Homem, que os levou consigo na conquista de todos os continentes. Eram mantidos em barcos e casas pela sua companhia, mas também para caçarem as pragas.

Hoje em dia, o gato doméstico vive em casa, é alimento a bel-prazer e tem muitas horas vagas. No entanto, não é por isso que os gatos atuais sejam mais felizes. Ao alterarmos dramaticamente o ambiente onde vivem, estamos a limitar o seu comportamento natural, originando problemas comportamentais e de saúde. Na alimentação, não é exceção.

 

Gato caçador e gato doméstico

Os gatos são animais carnívoros com grande instinto predador. Na natureza, os gatos caçam várias presas ao dia, uma vez que são baixas em calorias (energia). Logo, no processo da caça, o gato despende muita energia.

Atualmente, a maioria dos gatos domésticos vive no interior. Neste ambiente não têm oportunidade de caçar ou coletar alimentos, o que pode ter impacto no seu bem-estar. Aliás, alguns estudos demonstram que os problemas comportamentais são mais frequentes em gatos sem acesso ao exterior.

 

O gato doméstico não ocupa o tempo a caçar, aborrece-se

No gato doméstico de interior, o humano é a sua fonte de alimento. É hábito fornecer-se alimento apenas num local e em grande quantidade, uma a duas vezes por dia e sem ter em conta as necessidades energéticas do gato.

Mesmo em gatos com acesso ao exterior, a alimentação palatável (apetitosa) e em grande quantidade leva a que percam a necessidade de caçar e coletar. Os gatos domésticos perdem assim a necessidade de caçar, uma tarefa que deveria ocupar grande parte do seu dia. Logo, estes gatos ficam com muito tempo livre, aborrecendo-se.

 

O stress de partilhar o espaço com mais gatos

A situação ainda pode ser piorada em casas com múltiplos gatos. Os gatos toleram viver em colónias e partilham o espaço, podendo restringir-se a algumas áreas para evitar outros gatos. É natural os gatos preferirem fazer pequenas refeições sozinhos. A competição com outros gatos da casa pode gerar conflito, ou até uma tensão que não se expressa e passa despercebida ao dono.

Comportamentos de lidar com o stress da sobrepopulação numa casa com vários gatos (ou por vezes até com uma pessoa) pode originar ou piorar problemas de saúde. Por exemplo, em casas com muitos gatos, o gato pode levar grandes intervalos de tempo entre usos da caixa de areia, piorando a cistite.

Por outro lado, o stress de encontrar outro animal pode levar a ingestão massiva de alimento, seguida de vómito. A ingestão adequada de alimentos também pode ser comprometida devido à falta de acesso ao alimento.

 

A obesidade resulta do que e como alimentamos os gatos

A obesidade animal é um problema crescente, também relacionada com o que escolhemos alimentar os gatos e como o fazemos. As rações atuais são calóricas, muito apetitosas e fáceis de comer rapidamente. A disponibilização de todo o alimento em uma ou duas refeições ainda piora a situação, levando a um excesso de ingestão.

A falta de estímulos, principalmente no interior, pode levar a que o gato se distraia comendo. Ao ganhar peso, o gato reduz a atividade física, potenciando ainda mais o ganho de peso e obesidade. Por isso é importante fornecer várias refeições ao dia e que estimulem o gato, para evitar o aborrecimento.

 

Como alimentar o gato respeitando o seu comportamento natural

A Academia Americana de Veterinários de Felinos (American Association of Feline Practitioners, AAFP) lançou esta semana o programa de alimentação felina. O programa explica como respeitar o comportamento e bem-estar do gato através da forma como se faz a alimentação.

O plano de alimentação para gatos deve fornecer alimentos em pequenas refeições, em espaços elevados quando possível, separados das taças de água, e com monitorização regular do peso. Em casas com múltiplos gatos, vários locais separados com alimentos e água permitem reduzir o stress. O objetivo do programa de alimentação felino é simular o comportamento natural do gato e reduzir a frustração e o conflito.

 

Puzzles com comida

Os puzzles com comidas são objetos que têm que ser manipulados pelos gatos para libertar alimento. Assim, aumentam a atividade e estimulam a mente e o corpo. Podem ser comprados ou feitos em casa, de maior ou menor esforço para o gato. Os primeiros devem ser fáceis para habituar o gato. Os puzzles permitem manter o gato ocupado durante o dia, envolvendo-se na busca pela comida e gastando energia.

 

Refeições frequentes

As refeições devem ser divididas ao longo do dia, usando puzzles ou alimentadores automáticos (apesar destes últimos não estimularem o gato). Recomenda-se que o dono pese no início e fim do dia a ração, para determinar se o gato está a comer a medida certa.

 

Áreas separadas

Se tem mais do que um gato em casa, deve considerar fornecer os alimentos em locais separados. Só porque dois gatos se alimentam juntos não significa que não o façam sob stress. Os gatos devem ser alimentados em áreas que frequentem (onde se sentem seguros), podendo utilizar-se alimentadores que apenas fornecem alimento através da leitura do microchip do gato.

 

Guloseimas

As guloseimas são auxiliares do treino e aumentam a estimulação mental e interesse, incluindo nos puzzles. No entanto, as guloseimas devem ser usadas com moderação pois não devem exceder 10% das necessidades calóricas do gato.

 

Referência: Sadek et al. 2018

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