Perguntas frequentes sobre Alimentação de Cães e Gatos

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Como escolher a melhor dieta para cães e gatos?

Como individuo, existem várias opções de alimentação para os cães e gatos. Um médico veterinário nutricionista é a melhor fonte de informação em relação à escolha de uma dieta apropriada ao animal. Muitos fatores estão envolvidos na escolha da dieta, incluindo fatores financeiros, disponibilidade, problemas de saúde, preferências do animal e filosofia pessoal.

Quanta ração devo dar ao cão ou gato?

Há formas de calcular as necessidades médias do cão ou gato. No entanto, as necessidades calóricas individuais dependem da genética, ambiente, nível de atividade e estadio de vida. É importante ter em consideração que os alimentos variam muito no nível energético: rações secas podem variar de 300 a 700 calorias por chávena!

O conteúdo calórico da dieta utilizada deve ser conhecido de forma a não sobre ou sob-alimentar o animal. Em alguns casos, esta informação está no rótulo das rações. Se não estiver, poderá ser obtido contactando a empresa ou procurando informação no seu website.

A prevenção da obesidade é muito importante para a manutenção da saúde e longevidade. Deve avaliar regularmente se o animal mantém uma condição corporal adequada. Idealmente, deverá ser determinado por um médico veterinário. Em casa, poderá avaliar se as costelas são facilmente palpáveis e o animal mante um contorno de ampulheta quando visto de cima.

A dieta de carne crua é melhor do que a ração seca ou húmida?

As dietas de carne crua, caseira ou em ração, tornam-se populares. Postula-se que tenha benefícios como o aumento da longevidade, melhor higiene oral, melhor saúde e cura de doenças (especialmente gastrointestinais). Afirma-se que os benefícios estarão na preservação de enzimas e outras substâncias naturais que são destruídas durante a cozedura.

No entanto, provas destes benefícios são limitadas a depoimentos, não existindo estudos científicos válidos que possam comprovar estas afirmações. Os únicos estudos que existem avaliam as diferenças de digestibilidade de dietas cruas e cozinhadas (caseira ou ração). Nestes, as carnes cruas têm ligeiramente maior digestibilidade do que carne cozinhada.

Há riscos associados à alimentação crua. Um dos riscos é o desequilíbrio nutricional, comum em ambas as dietas cruas e caseiras. Outro risco é a contaminação bacteriana ou parasitária, incluindo de intoxicação alimentar, sendo um risco para a saúde pública.

Neste momento, ainda não existem provas concretas dos benefícios das dietas de carne crua, mas existem provas dos seus riscos. Desta forma, o ideal será discutir a escolha de alimentação com o seu médico veterinário para garantir a segurança do seu animal e da família.

As rações comerciais são seguras e saudáveis?

As rações comerciais têm sido usadas com sucesso ao longo de décadas. Existem muitos tipos de alimentos disponíveis, de secos a húmidos. Alguns são completos e balanceados, outros para uso suplementar e intermitente.

Problemas de segurança, como desequilíbrios nutricionais ou contaminação microbiana ou por toxinas, são ocasionalmente documentados em rações ou dietas caseiras. A maioria dos produtores de rações têm mecanismos de controlo de qualidade que garantem a segurança alimentar das rações. Desta forma, as rações são consideradas opções seguras e saudáveis para a alimentação de cães e gatos.

Que suplementos devo utilizar na alimentação dos meus animais de companhia?

Se o cão ou gato têm uma alimentação baseada numa ração completa e balanceada, os suplementos não são recomendados a menos que prescritos pelo médico veterinário. Assim, reduz-se a possibilidade de excessos ou interações medicamentosas.

Fale com o seu médico veterinário se está interessado em utilizar suplementos e mantenha-o informado. Estas informação é importante para garantir os melhores cuidados para o seu cão ou gato.

Preparar dietas caseiras é melhor do que comprar rações comerciais?

Alguns tutores podem estar interessados em cozinhar alimentos para os seus animais de companhia, acreditando que é mais segura, natural ou saudável que rações comerciais. Podem querer evitar certos ingredientes, como grãos, conservantes ou subprodutos, ou incluir certos ingredientes, como carnes ou gorduras.

Outros tutores podem procurar responder às suas filosofias também na dieta do animal, alimentando dietas caseiras vegetarianas, orgânicas ou cruas. Outra razão é quando o animal recusa comer dietas comerciais. Em alguns animais, este é um comportamento aprendido, enquanto outros pode ser secundário a uma doença, como insuficiência renal.

Finalmente, alguns animais têm combinações de doenças para as quais não existe uma ração comercial apropriada. Nestes casos, terá que ser utilizada uma dieta caseira.

Em geral, dietas caseiras são mais caras e levam mais tempo a preparar. Por outro lado, muitas receitas disponíveis na internet ou em livros são inadequadas ou desequilibradas. As receitas são vagas ou têm erros ou omissões na formulação, podem incluir ingrediente problemáticos ou estar desatualizadas quando se aplicam à gestão de uma doença. Podem também não conter informação relativa à quantidade a dar a cada animal.

Desta forma, os tutores que procuram seguir uma dieta caseira deverão procurar fazer uma consulta e obter receitas personalizadas num médico veterinário nutricionista.

Há alimentos que não deverei dar ao meu cão ou gato?

Há muitos alimentos que não deverão ser dados a cães ou gatos por serem tóxicos ou causarem outros problemas de saúde. Exemplos incluem alimentos muito gordurosos (pele de galinha), uvas e passas, massa de pão, macadâmias, chocolate, alho, cebola e doces que contenham xilitol.

O meu cão ou gato têm uma alergia alimentar?

Uma alergia alimentar ocorre quando o sistema imunitário reage a uma substância desconhecida. Na alergia alimentar em cães e gatos, a pele é geralmente envolvida. Alergias ambientais, a erva, ácaros e pólen também poderão gerar este sinal. Alergia a picada de pulga também poderá ser confundida com uma alergia alimentar.

As alergias alimentares também podem afetar o sistema gastrointestinal provocando vómitos e diarreias. Os sinais variam dependendo da severidade. Estes sinais também poderão ser confundidos com intolerância alimentar, onde o sistema imunitário não está envolvido. Um exemplo simples de intolerância alimentar é à lactose, por falta da enzima lactase.

Nas alergias alimentar, o sistema imunitário reage a uma proteína. As proteínas estão presentes na maioria dos ingredientes. As alergias alimentares mais comuns são vaca, frango e lacticínios nos cães, e vaca, peixe e lacticínios nos gatos.

O diagnóstico da alergia alimentar envolve alimentar uma dieta terapêutica hipoalergénica ou caseira durante dois meses, observando melhorias. Depois, o animal deverá voltar a alimentar-se da dieta original para confirmar que é a causa do problema.

É essencial que este processo seja seguido por um médico veterinário. A distinção entre intolerância alimentar, alergias ambientais e alergias alimentares é difícil. Apenas com supervisão de um profissional o diagnóstico e tratamento serão bem-sucedidos.

As guloseimas que dou ao meu cão ou gato podem ser perigosas?

Quando visita o médico veterinário deverá discutir toda a alimentação do animal, incluindo das guloseimas. Isto porque as guloseimas podem conter ingredientes tóxicos para o animal ou contribuírem para o excesso de peso. Outros problemas podem ocorrer quando um animal tem uma doença que limita o consumo de certos alimentos, como insuficiência renal ou alergia alimentar. Alimentação com carne crua pode originar ainda infeções, ou obstrução e perfuração gastrointestinal causada pelos ossos.

As guloseimas não são alimentos completos e equilibrados, isto é, não contem os nutrientes ou proporções de nutrientes adequadas. Logo, as guloseimas não devem exceder 10% das calorias diárias do animal para evitar desequilíbrios nutricionais.

Como saber se o cão ou gato tem excesso de peso?

Os cães e gatos obesos estão em risco de sofrer de mais problemas médicos, como artrite, e ter menor longevidade. Para saber se o seu animal está no peso certo, basta seguir os próximos passos:

  1. Teste da palpação: as costelas devem ser facilmente sentidas quando se passa palma da mão nos lados do tórax.
  2. Teste da cintura: deve ser visível a cintura, seja vendo-se de cima ou lateralmente.
  3. Teste da mão: se ainda tem dúvidas poderá comparar com a sua mão. Estenda uma das mãos e passe a outra mão suavemente sobre as costas da sua mão – esta deverá ser a sensação ao palpar as costelas de uma animal de peso ideal. Agora vire a mão, e passe sobre a palma da mão – esta é a sensação do tórax de um animal com excesso de peso.

Porque é que a lista de ingredientes não é um bom método de avaliar a ração do meu cão ou gato?

Muitos sites classificam as rações de acordo com a lista de ingredientes, mas estes são feitos por leigos não seguido qualquer evidencia lógica. Tal como o seu médico veterinário poderá indicar, a lista de ingredientes nunca foi feita com a função de implicar adequação nutricional.

O equilíbrio nutricional das dietas é definidos pela afirmação de que a ração é uma dieta completa e equilibrada, e idealmente confirmado através de testes laboratoriais. Já a lista de ingredientes não é a ferramenta correta para avaliação da qualidade de dieta. O mesmo ingrediente poderá variar em relação aos nutrientes que contem dependo de vários fatores.

A lista de ingredientes é organizada por ordem decrescente de peso. Assim, alimentos ricos em água estarão em primeiro. Logo, a organização da lista não representa como os ingredientes contribuem para os nutrientes.

Porque é que as rações terapêuticas são tão caras?

Muitos problemas de saúde animal poderão requerer gestão da alimentação. Dependendo da doença, podem restringir-se centros nutrientes, como o fósforo na doença renal. Nestas condições, é critico que o tutor possa confiar numa ração que consistentemente possa providenciar os nutrientes necessários ao animal.

Na produção das rações, e os próprios ingredientes, existem variações de nutrientes que nestes casos poderão ser graves. Por isso, os produtores de rações terapêuticas precisam de avaliar todos os ingredientes e o produto final de todos os lotes de rações produzidos. Por outro lado, estas rações são sujeitas a testes rigorosos para assegurar a sua segurança e adequação à patologia.

Tendo em conta a investigação inerente, controlo apertado e testes de qualidade, é compreensível o seu preço. Por outro lado, estas são principalmente vendidas por médicos veterinários uma vez que serão recomendadas por este no controlo da doença e assim também poderá limitar-se o seu uso em animais saudáveis, que poderia originar deficiências nutricionais. Apesar de caras, as dietas terapêuticas são essenciais à recuperação e manutenção da saúde em animais que sofrem destas patologias.

O que são rações naturais, holísticas, premium e gourmet?

Muitos termos utilizados no marketing das rações não são legalmente definidos, como o holístico, premium e gourmet. Logo, a presença desta afirmação não garante ao tutor um produto de melhor qualidade do que qualquer outra ração.

Já natural define-se alimentos derivados de plantas, animais ou minérios na forma final, sem alterações químicas. Orgânico indica a utilização de alimentos sem uso de herbicidas, fertilizantes e sem organismos geneticamente modificados.

O que determina a qualidade da proteína na ração?

A qualidade da proteína é determinada pelo conteúdo de aminoácidos e digestibilidade. Os aminoácidos são constituintes das proteínas, existindo alguns aminoácidos que não são produzidos pelo corpo e devem estar presentes nas dietas – os aminoácidos essenciais. Estes aminoácidos essenciais são dez nos cães e onze nos gatos.

Uma proteína pode ter muitos aminoácidos essenciais e baixa digestibilidade. Digestibilidade indica se a proteína pode ser digerida, absorvida e utilizada pelo corpo. Se o corpo não pode utilizar os aminoácidos da proteína, não interessa a sua composição.

Uma proteína de elevada qualidade tem uma grande percentagem de aminoácidos essenciais e boa digestibilidade. No entanto, a qualidade da proteína não pode ser determinada pela sua fonte ou ingrediente. Proteínas vegetais podem ser de elevada qualidade, especialmente quando combinadas com outras proteínas. Em muitos casos, proteínas vegetais, como o glúten, têm maior digestibilidade de que proteínas animais, como o frango.

Os subprodutos animais nas rações são seguros?

Na natureza, os predadores, como os lobos, não baseiam a sua alimentação apenas na carne (músculo), mas também ingerem os órgãos internos (subprodutos) ricos em vitaminas e minerais.

Os subprodutos são excedentes da produção de carne humana que consistem em órgãos, sangue, osso e intestinos. Apesar de não terem interesse para consumo humano, continuam a ser seguro e nutritivos.

Os subprodutos também são amigos do ambiente. Se as rações fossem feitas dos cortes de carne para os quais há procura para consumo humano, haveria competição pelo mesmo recurso com maiores custos ambientais. O ideal é conseguirmos utilizar todas as partes dos animais de produção.

Adaptado de: ACVN

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