O que é a Tosse do Canil ou Traqueobronquite Infecciosa Canina?

O meu cão tem tosse e o veterinário disse que se trata de tosse do canil.

Mas afinal o que é isto de tosse do canil?

Esta é uma patologia frequente e com distribuição mundial. O principal sintoma é a tosse.

Casos simples são auto-limitantes e facilmente são curados. Mais raramente, existem casos complicados com pneumonia que podem resultar em morte.

O que é a tosse do canil?

A tosse do canil, ou traqueobronquite infecciosa canina, é a infecção e inflamação das vias respiratórias superiores causada por agentes infecciosos altamente contagiosos. Tem início agudo e cursa com tosse seca.

Etiologia da tosse do canil

A tosse do canil é considerado um síndrome multi-etiológico, ou seja, pode resultar da acção isolada ou conjunta de vários agentes infecciosos. Pode ser causada pelos seguintes agentes:

  • Adenovirus canino tipo 2
  • Parainfluenza canina
  • Bordetella bronchiseptica
  • Adenovirus canino tipo 2
  • Herpesvirus canino
  • Reovirus canino 1, 2 e 3
  • Pseudomonas
  • Escherichia coli
  • Klebsiella
  • Pasteurella
  • Streptococcus
  • Mycoplasma
  • Fungos
  • Parasitas

Transmissão da tosse do canil

É uma doença altamente contagiosa com elevada prevalência mundial. Encontra-se principalmente em áreas com elevado número de cães. O contagio da tosse do canil resulta do contacto com directo ou secreções oronasais de animais infectados.

Esta patologia ocorre principalmente em épocas frias. Não tem predilecção por raça. É mais frequente e severa em cachorros jovens (das 6 semanas aos 6 meses), imunodeprimidos ou com patologias pulmonares. Nestes pode originar pneumonia bacteriana tornando-se grave.

Para além do contacto directo com animais infectados, pode ser contraída através de vectores contaminados com secreções oronasais destes animais através de:

  • Locais com muitos cães: hospitais veterinários, hoteis de animais, canis, parques
  • Objectos do cão contaminado: taças de comida e bebida, brinquedos, cama, trela, etc.
  • Através do ar por aerossois
  • Mãos humanas contaminadas

Quais são os sinais clínicos da tosse de canil?

O principal sintoma é a tosse seca em cachorro, uma vez que animais jovens são mais afectados por estarem susceptíveis a bactérias oportunistas. Os sinais aparecem 1 a 3 dias após exposição ao animal infectado ou às suas secreções.

A tosse é seca e cavernosa, também chamada por tosse de ganso devido ao som produzido. Em casos de laringite o ladrar pode ser alto e rouco. Quando a traqueia está inflamada, a sua palpação induz tosse. A tosse pode ser confundida com um engasgo ou com esgar.

A tosse pode ser produtiva ou não produtiva. A tosse produtiva ocorre quando há produção de muco nas vias respiratórias. Também se podem observar corrimentos serosos, mucosos ou muco purulentos.

A tosse é agravada por exercício, excitação, mudanças no calor e humidade ou pela pressão da coleira na traqueia. Os espirros podem ocorrer raramente. Normalmente o cão mantêm-se activo, cheio de vitalidade e apetite.

O caso descrito anteriormente é um caso não complicado e pode resolver-se espontaneamente. Casos complicados têm repercussões a nível sistémico e pulmonar.

Quando há progressão para brônquios e pulmões observa-se um quadro clínico mais grave. Estes animais apresentam perda de apetite ou anorexia, letargia, dificuldades respiratórias, intolerância ao exercício e febre. Casos complicados sem tratamento podem culminar na morte do animal.

Diagnóstico da tosse do canil

O diagnóstico deverá ser sempre feito por um médico veterinário. É importante descartar outras doenças com sinais semelhantes. Por isso sempre que suspeitar de tosse de canil deve recorrer ao seu médico veterinário.

O diagnóstico é presuntivo e resulta da análise da história e sinais clínicos apresentados pelo animal. Para avaliar a saúde das vias respiratórias inferiores deverá ser realizada uma radiografia torácica. Em caso de suspeita de outras patologias ou quando não há resposta ao tratamento poderá ser necessário realizar exames complementares.

Cães com tosse do canil normalmente apresentam como sintoma principal a tosse seca e persistente. Na sua história descrevem-se relatos da exposição a locais ou animais contaminados nas últimas duas semanas. A doença pode persistir por 10 a 20 dias, mas a sua severidade diminui após o 5º dia.

Tratamento para a tosse do canil

A maioria dos casos de tosse do canil são ligeiros e não complicados. Como a patologias é auto-limitante, ela tem resolução rápida e espontânea dentro de 1 a 2 semanas. Em muitos casos pode não ser necessário utilizar antibiótico e por isso realiza-se apenas um tratamento de manutenção.

O principal objectivo do tratamento é aliviar a tosse e prevenir complicações decorrentes da patologia. Por isso, em norma são utilizadas as seguintes medidas:

Isolamento do cão: como a patologia é altamente contagiosa o cão deve ficar em isolamento para evitar o contagio de outros animais. Locais públicos durante os passeios deverão ser evitados uma vez que pode contaminar o ambiente e pode expor o cão a bactérias oportunistas. Pelo mesmo motivo, apenas em casos graves se deverá internar o cão.

Higiene: é importante reduzir a carga microbiana no ambiente e evitar contagio. Para tal deve-se limpar os locais frequentados pelo cão com lixívia diluída em água 1:30 ou clorexidina.

Repouso total: a excitação e exercício causam tosse o que aumenta a irritação da traqueia. Para evitar esta complicação deverá ser feito repouso por uma semana em casos simples. Em casos complicados e com pneumonia, o repouso deverá durar 14 a 21 dias.

Nutrição: é importante manter uma boa nutrição para manter o organismo forte e capaz de combater o agente infeccioso.

Após a avaliação do estado do animal, o veterinário poderá recomendar administrar alguns ou todos os seguintes fármacos:

Antitússicos: quando a tosse não é produtiva (não tem expectoração) podem-se administar antitússicos para controlar a tosse e evitar piorar a irritação. Alguns exemplos são o butorfanol e o butartarato de hidrocodona.

Broncodilatadores: permite evitar a contracção dos brônquios que dificulta a respiração e resulta em sons de assobio (ex. teofilina).

Anti-inflamatórios: permitem reduzir a inflamação provocada pelos agentes e aliviar os sintomas da patologia.

Fluídoterapia: em casos severos pode ser necessário recorrer à fluidoterapia como forma de combater a desidratação.

Antibióticos: devem ser usados apenas em casos crónicos ou severos. No entanto são utilizados com maior frequência em casos simples para combater um dos possíveis agentes, a Bordatella. Para tal, administra-se gentamicina ou polimixina B em nebulização por 3 a 5 dias, uma vez ao dia. Em casos severos utiliza-se gentamicina, enrofloxacina ou cefalosporinas continuadas por 10 dias após resolução da pneumonia.

O animal deve responder ao tratamento em 10 a 14 dias. Este também é o período natural da resolução da tosse do canil não complicada visto que é auto-limitante. Animais que sofram de casos severos devem repetir a radiografia 15 dias após a resolução da doença.

Prevenção da tosse do canil

A profilaxia baseia-se na administração da vacina contra a tosse do canil, que confere protecção para os agentes mais frequentes da tosse do canil. Apesar da vacina não conferir 100% de protecção, reduz a gravidade de possíveis infecções.

A vacinação deverá ser iniciada em cachorro, entre as 6 a 8 semanas e repetida às 12 e 16 semanas. A partir daí o reforço é anual. Existem vacinas injectáveis, principalmente para CAV-2 e parainfluenza e vacinas intranasais contra a Bordatella.

Durante este período o cachorro é susceptível à doença, pelo que o contacto com possíveis portadores ou locais onde tenham passado deve ser evitado. Mesmo em animais que sejam curados da doença podem voltar a contraí-la devido ao variado leque de agentes.

A vacinação é um requisito para a entrada do animais em locais com muitos cães, como hotéis ou concursos de animais. Antes de levar o animal para um destes locais deve ser sempre administrada a vacina.

Se o seu animal sofre de patologias respiratórias (ex. colapso da traqueia, bronquite) ou é imunossuprimido está mais susceptível a ser contagiado. Nestes casos deve ter cuidados redobrados com os locais frequentados pelo animal e a higiene que tem com o local e objectos.

Prognóstico para a tosse do canil

Apesar da traqueobronquite canina ser altamente contagiosa tem uma mortalidade reduzida. Os casos não complicados são auto-limitantes e são curados naturalmente passado 1 a 2 semanas.

Os casos severos podem ser fatais devido à pneumonia e às complicações sistémicas. Por isso os animais deverão ser sempre acompanhados por um médico veterinário.

Após recuperação, o cão poderá voltar a sofrer da doença se for infectado por outro agente deste síndrome.

Referência:
Merck Vet Manual

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