Asma felina: causas e tratamento

Um gato com tosse ou um gato com dificuldade em respirar poderá ter asma. É a patologia respiratória mais frequente nos gatos. Deve-se a uma hipersensibilidade do tipo I (alergia) que origina broncoconstrição e aumento da secreção de muco. Ocorre mais em jovens e meia idade, e na raça siamesa. O tratamento depende da gravidade dos sintomas.

Fisiopatologia da Asma felina

Na asma acontece um obstrução reversível das vias aérea por broncoconstrição. Como resposta ao irritante inalado ocorre hipertrofia do epitélio, aumento das estruturas produtoras de muco e espasmos e hipertrofia do músculo liso bronquial.

A asma alérgica, o contacto com alergénios como pó, perfumes, fumo e pólens estimulam a produção da imunoglobulina IgE que se liga aos mastocitos, fazendo-os desgranular libertando mediadores da inflamação. Os mediadores causam uma resposta inflamatória característica, com participação dos eosinófilos.

A maior tendência do indivíduo produzir IgE pode estar relacionada com o risco de sofrer asma. O muco, edema, inflamação e hipertrofia do músculo liso levam à diminuição do lúmen dos brônquios e diminuição do fluxo de ar.

Factores de risco e causas da Asma felina

Pensa-se que alguns factores possam aumentar o risco de sofrer de asma. São substâncias irritantes, infecções virais ou bacterianas e doenças parasitárias. Estes aumentam a resposta local predispondo à broncoconstrição. É mais comum entre os 2 e os 8 anos. Outros factores de risco são a exposição a fumo de tabaco, sprays e pó da caixa de areia.

Sintomas de Asma felina

A letargia, ruídos respiratórios e tosse em gatos poderá ser um sinal de asma. Os sintomas são crónicos e lentamente progressivos. Em casos severos podem respirar pela boca e apresentar cianose. Os sintomas podem ser agravados por stress e exercício.

O dono poderá observar:

  • Tosse com muco e sonora
  • Respiração difícil e possivelmente pela boca
  • Ruídos respiratórios
  • Espirros
  • Episódios de asma
  • Aumento da sensibilidade da traqueia (tosse quando tocado)
  • Hipertermia
  • Perda de peso
  • Apatia ou letargia
  • Cianose (mucosas azuis)

Diagnóstico da Asma felina

Não há um teste simples para diagnóstico. A sintomatologia poderá ser confundida com bronquite crónica. A história de respiração custosa aliviada por oxigénio, broncodilatadores e esteroides é indicativo de asma.

Durante o exame físico, o veterinário poderá observar prolongamento da expiração e ruídos expiatórios. Na radiografia poderá observar-se o padrão bronquial, intersticial e alveolar devido à grande inflamação.

Lavagens endotraqueais e bronquioalveolares para citologia poderão demonstrar o aumento de eosinófilos e neutrofilos relacionados com asma. O mesmo poderá ser observado em amostras de sangue. Na broncoscopia poderá observar-se a diminuição do lúmen do brônquio com excesso de muco e edema da mucosa.

Classificação dos sintomas de Asma felina

Suave: não afecta a qualidade de vida, entre ataques o gato tem uma vida normal.

Moderado: por vezes afecta a qualidade de vida (ex. fadiga rápida, acorda a tossir). Os sintomas não são constantes e não há dificuldades respiratórias em repouso a maioria do dia.

Severo: sintomas contínuos que limitam a qualidade de vida. Os animais não estão confortáveis em repouso e os sintomas ocorrem na maioria do dia.

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Tratamento da Asma felina

A asma felina não é contagiosa, é uma alergia. Logo retirar o alergénio é o ideal para a cura, mas muitas vezes será difícil de identificar e retirar. Em casos agudos, em que a respiração é difícil, o gato asmático deverá ser internado na clinica veterinária para tratamento urgente.

Aí será administrado oxigénio e fármacos para ajudar a lidar com a crise. Exemplos são broncodilatadores, esteroides (ex. dexametasona) e B-agonista injectáveis.

Tratamento a longo prazo deverá ser esperado. O tratamento consiste em esteroides para diminuir a inflamação, B-agonistas que são broncodilatadores e por vezes outros como a ciprohepatadina que inibe a broncoconstrição e ciclosporina que diminui a resposta imune. Assim o tratamento frequentemente passa por:

  • Esteroides por vía oral
  • Esteroides injectaveis: quando não é possível administrar por via oral
  • Esteroides inaláveis em aerossol: como AeroKat®, NebulAir®, Flovent® (fluticasona) administrados por mascara
  • Teofilina ou aminofilina: broncodilatadores
  • Terbulina e albuterol (B-agonistas): broncodilatadores
  • Antihelminticos: eliminar parasitas que possam causar aumento dos eosinófilos

O tratamento será adequado à gravidade da asma e ao indivíduo. Assim, a seguinte tabela demonstra um possível tratamento para o gato asmático.

Classificação Tratamento
Suave Flovent (fluticasona) 2 vezes ao dia.
Albuterol inalável em crises.
Moderado Flovent (fluticasona) 2 vezes ao dia.
Albuterol inalável em crises.
Prednisolona (esteroide) oral 2 vezes ao dia por 5 dias.
Grave Flovent (fluticasona) 2 vezes ao dia.
Albuterol inalável 4 vezes ao dia.
Prednisolona (esteroide) oral em doses baixas intermitentes.

Em crises será administrado na clínica:
Dexametasona injectável.
Albuterol a cada 30 minutos por 4 horas.
Oxigénio.

Seguimento do paciente

O dono deverá estar atento aos sintomas de asma, uma vez que a medicação poderá necessitar de ser ajustada. Nas semanas seguintes ao diagnóstico deverão fazer-se radiografias. A utilização prolongada de esteroides poderá originar diabetes mellitus, logo faz-se a monitorização de açúcar no sangue a cada 6 meses. Monitorização de infecções urinárias uma vez que se suprime a resposta imune com o tratamento.

Prevenção da Asma felina

Eliminar factores ambientais que poderão ser alergénios. Isto significa mudar a areia do gato para uma areia sem pó, não fumar junto ao gato, evitar sprays e mudar o filtro do ar-condicionado com frequência.

Prognóstico da Asma felina

A falta de tratamento ou a falta de resposta poderá originar a morte do gato. A maioria dos gatos tem uma vida normal se monitorizados cuidadosamente. Deverá esperar uma terapia para toda a vida.

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