Porque é que os cães olham fixamente?

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Aquela sensação de estar a ser observado por vezes é real: o nosso próprio cão segue-nos pela casa e olha-nos fixamente. Enquanto tomamos o pequeno almoço, lavamos os dentes ou estamos a ler sentados no sofá, o nosso cão observa-nos.

Ser observado por um cão não é tão constrangedor como ser observado por uma pessoa. Mas mesmo assim pode ser estranho para alguns cuidadores. Há muitas razões para o cão olhar, por isso vamos descrever algumas.

Olhos suplicantes – o cão quer alguma coisa

A maioria das vezes que os cães olham para nós é porque querem alguma coisa. Por ser um brinquedo, comida, ou até uns mimos. Outras vezes é porque querem ir à rua. Mas os olhos suplicantes dão-nos logo informação de que temos que prestar atenção ao nosso companheiro.

Os cães aprendem facilmente a olhar para nós para suplicar. Até é provável que tenha reforçado este comportamento ao responder aos olhos suplicantes previamente. Por muito chato que seja ter um cão com olhos suplicantes, não é tão chato como ladrar, cavar ou morder.

Cabeça inclinada – o cão está confuso

Os cães que observam atentamente durante o treino e inclinam a cabeça poderão estar confusos ou curiosos. O cão está a tentar perceber o que se quer dele.

Se o cão inclinar a cabeça, é indicação que devemos esclarecer o que estamos à espera que ele faça. Se for uma ordem, devemos repeti-la com clareza. Noutros casos, é preciso reforçar o treino. Logo, este não é um cão desobediente, mas confuso.

Olhar direto e tenso – o cão está nervoso

Há outro tipo de olhar – o olhar tenso e nervoso que precede a agressividade. Existem muitas causas para a agressividade, e a maioria relaciona-se com o que se passa à volta do cão. O olhar fixo e agressivo precede a mordida. Já outros cães podem intercalar este olhar com desvios do olhar.

Se está a fazer festas a um cão, ou a aproximar-se de brinquedos ou da casota dele, um olhar tenso indica-nos que é melhor afastar-nos. Este olhar é acompanhado de corpo e cauda tensa, pupilas dilatadas, cabeça para baixo, boca fechada e orelhas para trás ou para a frente. Também poderá mostrar os dentes como sinal de agressão.

Olhos meigos – o cão adora o cuidador

No oposto do espectro estão os olhos meigos que revelam que o cão adora o seu cuidador. Um estudo recente revela que há libertação da hormona do amor, a oxitocina, quando os cães e os seus cuidadores se olham nos olhos.

Um olhar meigo pode ser confundido com um olhar tenso e persistente. A diferença é que o olhar meigo acompanha-se de abanar de cauda, orelhas relaxadas e pupilas normais. Este olhar acontece em momentos relaxados, logo é menos provável que acontece quando está a brincar, comer ou treinar.

Olhos de caça e de pastoreio – o cão está em modo caçador

Cães de pastoreio também têm o hábito de olhar fixamente, como forma de controlar rebanhos, manadas, brinquedos ou pessoas. O Border Collie é famoso por esse olhar.

Já os cães de caça olham fixamente quando estão na perseguição. Este comportamento pode ser brincalhão ou sério, mas costuma aparecer durante jogos ou em ambientes florestais. Se o cão abranda, baixa a cabeça e olha para algo distante, é porque está em modo de caça.

Porque é que os cães (não) olham nos olhos?

Um cão dominante terá um olhar fixo nos olhos, enquanto um cão submisso tentará desviar o olhar, não olhando nos olhos. Um olhar fixo nos olhos, para os cães, revela dominância ou agressividade. Por isso, como boa educação, não se deve olhar um cão estranho nos olhos fixamente.

No entanto, esta regra nem sempre se aplica. O olhar nos olhos entre o cão e os seus familiares pode não ser interpretado como dominância. Como já vimos acima, pode tratar-se de um olhar meigo que revela amor e confiança.

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Joana C. Prata, Msc., tem um mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade do Porto e é fundadora d’O Meu Animal. Sempre viveu rodeada de animais, tendo agora como companheiros dois gatos (a Rita e o Romeu), três cadelas (a Kami, a Inês e a Pota), uma tartaruga (o Nicholas) e uma colónia com cerca de dez gatos. Neste momento faz investigação na Universidade de Aveiro, como aluna de doutoramento e bolseira em Biologia e Ecologia das Alterações Globais, onde tenta identificar fatores ambientais que possam ter impacto na saúde humana, animal e dos ecossistemas.

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