Cão de Água Português – Guia da Raça

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O cão de água português eram tripulantes dos navios de pesca portugueses, onde recuperavam artes de pesca perdidas ou conduziam peixes para as redes. O cão de água português ganhou reconhecimento internacional pela presença de Bo na Casa Branca durante a presidência de Barack Obama.

Os cães de água portugueses são energéticos e adoram correr e nadar. Afinal, estão adaptados à água com as membranas entre os dedos e ao suster a respiração para mergulhar. Como são inteligentes, podem aborrecer-se rapidamente pelo que precisam de desafios. São ótimos cães de família, sendo engraçados e companheiros.

Tamanho e peso do cão de água português

Os cães de água português são cães de porte médio. O tamanho ao ombro varia de 43 a 58 cm e o peso de 15 a 27 kg. Os machos são maiores e mais pesados que as fêmeas.

Personalidade do Cão de Água Português

O cão de água português tem várias qualidades. É um cão incansável, adora diversão, e tem um ótimo sentido de humor. É inteligente e consegue prever o que o dono vai fazer. Para chamar a atenção faz muitas palhaçadas que vão entreter a família. 

O temperamento do cão de água português varia entre teimosos a relaxados. Tal como qualquer cão, é necessário fazer a socialização para que não desenvolva medos e fobias.

O cão de água português é um excelente companheiro para a família, especialmente para as crianças. Podem ser um pouco indisciplinados, devendo-se ter cuidado com as crianças mais pequenas. Convivem bem com cães e gatos, devendo-se ter especial atenção a animais pequenos, como coelhos ou hamsters.

Cuidados do cão de água português

Os cães de água português devem viver dentro de casa com a família. Idealmente, devem ter um jardim onde podem brincar em segurança e gastar energia. Com muito exercício, podem adaptar-se à vida em apartamento.

Devem fazer pelo menos 30 minutos de exercício por dia. Se gastarem energia, são companheiros de casa calmos. Caso contrário, podem ficar frustrados e roer. Podem ser treinados com reforço positivo, mas convém evitar repetições excessivas que os possam aborrecer.

O cão de água português aprende rápido e gosta de dominar as novas tarefas. Treiná-lo para obediência, agilidade, perseguição, ou na água é uma boa forma de estimular a mente e fazer uma atividade que ele adora. Também poderá ser utilizado como cão de terapia.

O cão de água português gosta de fazer tarefas. O treino ajuda a formar uma ligação forte com o seu tutor. Como gostam de roer, convém ter vários brinquedos de roer e aprender o que é ou não um brinquedo.

Cuidados com o pelo e higiene

Os cães de água português têm duas pelagens: encaracolado e ondulado. Ambos têm apenas uma camada sem subpelo, o que leva a que não larguem tanto pelo, sendo por vezes considerados hipoalergénicos.

O pelo pode ser preto, branco, castanho, ou preto ou castanho com manchas brancas. O corte do pelo mais comum é o de “leão” deixando o pelo mais comprido como juba e na ponta da cauda, ou o de “retriever” em que o pelo é cortado com 2.5 cm de comprimento.

O pelo deve ser penteado 2 a 3 vezes por semana para evitar emaranhados. O corte deverá ser mensal para se manter elegante. Após sessões de natação, convém fazer uma lavagem com água limpa para remover cloro ou sal que possam irritar a pele. As orelhas devem ser secas para evitar otites.

Alimentação do cão de água português

A alimentação do cão de água português deve consistir numa ração completa e equilibrada. Como qualquer cão, a dose deve adaptar-se à atividade e estadio de vida do animal.

Saúde do cão de água português

A raça de cães de água português é saudável. No entanto, como qualquer raça, tem propensão para algumas doenças para as quais o tutor deve estar atento. É importante adotar um animal de um criador de confiança que faça controlo de doenças hereditárias.

Displasia da anca: é uma doença hereditária onde há um mau encaixe entre o fémur e a bacia, levando o cão a coxear das patas traseiras, podendo ainda originar desconforto e dor especialmente quando desenvolve artrite.

Cardiomiopatia dilatada juvenil: é uma doença hereditária que causa morte súbita dos cachorros entre 1 e 7 meses. É uma doença sem tratamento, pelo que deve ser prevenida excluindo da reprodução cães que tenham esse gene.

Atrofia progressiva da retina: é uma doença degenerativa da retina que causa cegueira repentina por perda dos recetores na retina. Pode ser detetada com antecedência e os cães afetados podem fazer uma vida normal, mesmo com a perda de visão.

Gangliosidose (GM1): é uma doença genética recessiva em que existe uma deficiência na enzima GBL1 que se traduz na acumulação de substâncias que originam manifestações neurológicas, como tremores da cabeça, falta de coordenação dos membros, mancar e nistagmo. É uma doença fatal e sem tratamento, pelo que deve ser prevenida excluindo portadores destes genes da reprodução.

História do Cão de Água Português

O cão de água português descende de cães utilizados durante séculos pelos pescadores portugueses. A sua função era conduzir peixe às redes, recuperar equipamento da água, e transportar mensagens nadando entre barcos. É possível que partilhe os antepassados com os Caniches.

O cão de água português servia de tripulação em viagens entre Portugal e o Canada na pesca do bacalhau. Com a industrialização das pescas, esta raça quase desapareceu no início do século XX. Vasco Bensuade salvou a raça e, com os restantes fãs, formou um clube de criadores e designou os standards.

Algumas décadas depois, os cães de água portugueses já estavam internacionalizados. Na atualidade, o cão de água português mais conhecido é Bo, que pertence à família do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

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Joana C. Prata, Msc., tem um mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade do Porto e é fundadora d’O Meu Animal. Sempre viveu rodeada de animais, tendo agora como companheiros dois gatos (a Rita e o Romeu), três cadelas (a Kami, a Inês e a Pota), uma tartaruga (o Nicholas) e uma colónia com cerca de dez gatos. Neste momento faz investigação na Universidade de Aveiro, como aluna de doutoramento e bolseira em Biologia e Ecologia das Alterações Globais, onde tenta identificar fatores ambientais que possam ter impacto na saúde humana, animal e dos ecossistemas.

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