Como acalmar o cão e gato com medo de foguetes e trovões?

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Os foguetes e fogo-de-artifício são formas fantásticas de comemorar o Ano Novo, casamento ou festas de verão, mas não são assim tão fantásticos para os cães e gatos. Todos os animais evoluíram para ter um medo instintivo de sons estrondosos, sejam foguetes ou trovões. É uma resposta natural para fugir de uma ameaça não identificada. Mas esta resposta pode ser alterada ou reduzida através de treino e habituação.

Os foguetes e trovões têm características comuns: são estrondosos, repentinos e lançam uma onda de choque no ar e no chão. É de esperar que os nossos cães e gatos fiquem num estado de terror. Aliás, 49% dos cuidadores da Grã-Bretanha revela que o seu cão tem medo de foguetes, seguindo-se de trovões.

Por isso, vamos oferecer algumas soluções que pode implementar para acalmar o cão e gato com medo de foguetes e trovões.

Treino precoce evita fobias

A socialização é o período da vida do cão ou gato em que estão mais receptíveis a aprender o que será normal na sua vida. Uma má socialização leva a problemas comportamentais, como agressão a pessoas ou animais e fobias. Nos cães, a socialização dá-se nas primeiras 12 semanas, e nos gatos durante as primeiras 7 semanas de vida.

Este período também é essencial expor o animal a situações menos agradáveis, mostrando a sua inocuidade. Este é o caso dos foguetes e trovoadas. Ao expor o animal durante este período e associá-lo a um estímulo positivo e tranquilizante, podemos evitar o desenvolvimento de fobias. No entanto, se não conseguiu fazer isto durante as primeiras semanas de vida do animal ainda existe esperança.

Esconderijo dentro de casa

Os cães e gatos sentem-se mais confortáveis se tiverem um espaço onde se esconder no interior da casa. Por isso, fazer uma toca de refúgio pode ajudar o animal a lidar com o medo dos foguetes ou trovões. Muitos animais já procuram esconderijos nestas situações. Por exemplo, os gatos escondem-se debaixo da cama ou sofá.

Mas o cuidador também pode ajudar na procura de esconderijo. Pode comprar camas em tenda, onde o animal se possa esconder. Ou até pode fazer uma toca, colocando um cobertor sobre cadeiras ou mesas.

É importante que o cão ou gato estejam dentro de casa antes de começar o fogo-de-artificio ou trovoada. Se estiverem no exterior, podem perder-se com o pânico e até se magoarem. Se puder, fique em casa com o animal para lhe dar conforto e segurança.

Treino de dessensibilização

O treino de dessensibilização permite formatar o comportamento do animal a um certo estímulo. É feito através da exposição a estímulos semelhantes de baixa intensidade. O animal é ensinado a tolerar o estímulo, aprendendo que não se trata de uma ameaça.

Ou seja, no caso de foguetes e trovoada, deveria expor-se o animal a um barulho forte e ensinar-lhe que não é perigoso. No entanto, este treino é complicado devido à dificuldade em replicar o estímulo (foguete, trovoada) e de ultrapassar o medo instintivo de ruídos altos e curtos. Poderá sempre melhorar a reação do animal ao barulho, mas deverá ser feito sempre com a ajuda de um profissional.

Medicação para acalmar o cão ou gato

Em casos graves, poderá pedir ao seu médico veterinário para lhe passar a receita de medicação. A medicação é especialmente recomendada para animais que ficam muito agitados, podendo até ferir-se ao tentar escapar com o medo. A estes animais, a medicação permite ficar mais relaxado ou sedado durante o período mais crítico. Nunca deverá fazer medicação sem aconselhamento médico, uma vez que poderá intoxicar o animal.

Criar um ambiente relaxante e de distração

Se pode ficar em casa com o seu companheiro de quatro patas, recomendamos que crie um ambiente relaxante. Brincadeiras e passeios permitem gastar energias e manter o animal mais clamo durante o período crítico. Crie esconderijos e feche a casa para que não possam fugir com o medo.

Durante, tente distrair o animal brincando com ele, oferendo-lhe guloseimas se estiver calmo e fazendo-lhe companhia. Se o animal começar a exprimir medo, não ofereça mais guloseimas e carinho pois reforçam o comportamento. Deixe-o procurar um local seguro e ficar sossegado. Vigie de tempos a tempos se está tudo bem, sem o incomodar.

E você, como é que lida com o medo dos foguetes e trovões do seu cão ou gato?

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Joana C. Prata, Msc., tem um mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade do Porto e é fundadora d’O Meu Animal. Sempre viveu rodeada de animais, tendo agora como companheiros dois gatos (a Rita e o Romeu), três cadelas (a Kami, a Inês e a Pota), uma tartaruga (o Nicholas) e uma colónia com cerca de dez gatos. Neste momento faz investigação na Universidade de Aveiro, como aluna de doutoramento e bolseira em Biologia e Ecologia das Alterações Globais, onde tenta identificar fatores ambientais que possam ter impacto na saúde humana, animal e dos ecossistemas.

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