Eutanásia em animais: quando tomar a decisão?

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A eutanásia em animais é a antecipação da morte em cães e gatos, de forma a evitar o sofrimento. Normalmente os cães e gatos submetidos a eutanásia são doentes crónicos em que a morte é inevitável, estando a sofrer com a lenta degradação do estado de saúde. Assim, a eutanásia é a forma humana de interromper precocemente o sofrimento.

Qual é a opinião dos médicos veterinários sobre a eutanásia em animais?

A maior parte dos médicos veterinários são a favor da eutanásia como forma de limitar o tempo de sofrimento do animal. Ser responsável pelo termino da vida de um animal não é uma atividade fácil de lidar em termos emocionais. Mas sendo o melhor para o paciente, será realizado amavelmente pelo seu médico.

Em Portugal, o médico veterinário encontra-se no direito de rejeitar realizar o procedimento de eutanásia caso não concorde com os seus motivos. Para alguns donos, a eutanásia de animais saudáveis é uma alternativa ao abandono animal, sendo inaceitável.

Como se realiza o procedimento da eutanásia em cães e gatos?

A eutanásia é realizada através da um protocolo de administrações, normalmente precedido de anestesia. Os objetivos da eutanásia incluem a passagem à inconsciência, sucedida de uma morte sem ansiedade ou dor. O protocolo deve ser fácil de aplicar, acessível e rápido.

Em Portugal, o procedimento mais utilizado utiliza a administração de barbitúricos, como o pentobarbital sódico. Normalmente este tem administração intravenosa, podendo também ter administração cardíaca. Os barbitúricos induzem depressão do sistema nervoso central, levando à paragem cardiorrespiratória.

Alternativas menos usadas incluem anestésicos inalatórios, gases (CO2, N2, CO), anestésicos inalatórios, luxação cervical, armas de fogo. Estas alternativas apresentam desvantagens, como preços elevados, ansiedade e violência. As armas de fogo ainda são utilizada em animais de grande porte, como cavalos, pela dificuldade de administrar uma dose intravenosa de barbitúricos suficiente para induzir a morte.

Quando é que devermos considerar a eutanásia canina e felina?

A eutanásia em animais é recomendada quando sofrem de doença crónica, irreversível, com sofrimento e que não pode ser controlado. Poderá discutir a sua indicação com o seu médico veterinário, sempre com o objetivo de reduzir o sofrimento e conservar o bem estar animal.

Nem todos os tratamentos indicados para uma doença, ou preferidos pelo dono, são o melhor tratamento para o animal. Aqui insere-se a eutanásia, como tratamento que irá separa precocemente o dono e o animal, mas evitar o sofrimento de uma lenta degradação da saúde que resultará em morte.

Entre os fatores mais importantes para o animal estão o estado de saúde geral e a atividade. Por exemplo, um animal com baixa atividade e mau estado de saúde não é um bom candidato a anestesias repetidas como forma de tratamento.

Nesta perspetiva, a idade não deverá ser considerada, mas sim o estado de saúde. Há animais mais jovens com estados de saúde pobres que não poderão ser sujeitos a certos procedimentos, e animais idosos com uma saúde excelente.

Por exemplo, a eutanásia em cães idosos só deverá ser realizada se existir uma condição de saúde que assim o justifique. Não deverá ser uma forma de o dono se demitir das suas responsabilidade. Portanto, os procedimentos deverão sempre adequar-se ao paciente e a reduzir o seu sofrimento.

Para facilitar a tomada de decisão, existe o esquema objetivo de Karnovsky’s que classifica os vários estádios da doença:

  • Normal: animal completamente ativo, atividade semelhante à anterior à doença;
  • Restrito: atividade inferior à anterior à doença mas aceitável;
  • Comprometido: atividade muito limitada, está em casa, alimenta-se, mas com eliminação em áreas inadequadas;
  • Inválido: completamente inválido, necessita de ser alimentado à força, eliminação inadequada;
  • Morto.

Este esquema reflete a classificação de tumores para animais domésticos, mas também poderá ser um bom indicador de como prosseguir noutras situações que ameacem a sobrevivência do animal. Assim, a partir do estado de comprometido à uma grande ameaça ao bem-estar do animal, devendo considerar-se a eutanásia.

O que fazer depois da eutanásia?

Após a eutanásia, terá que decidir o que acontece com o corpo do seu animal. Por um valor, a clínica veterinária tratará do assunto, normalmente submetendo o corpo a cremação. Alternavas incluem cremação individual, cemitérios de animais e até ser incorporado nas raízes de uma arvore. Escolha a opção que lhe permitir lidar melhor com a situação difícil de perder um amigo de quatro patas de longa data. E olhe em frente, pois terá sempre oportunidade de salvar outra vida com esse mesmo amor e carinho.