Abandono de animais em Portugal

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Em Portugal são abandonados mais de 10 mil animais por ano, sendo a maioria cães. Números reais são difíceis de obter, visto que estão distribuídos por várias associações e canis municipais. Quais são as causas de este problema e como o poderemos travar?

Causas de abandono de animais

O abandono de animais ocorre durante todo o ano e tem grande incidência na altura das férias. As principais causas de abandono são as seguintes:

  • Férias, não tendo onde deixar o animal.
  • Gravidez e nascimento de um filho por crença infundada de que o animal é um perigo para a saúde (na toxoplasmose por exemplo).
  • Problemas de comportamento do animal, como agressividade, eliminação inapropriada ou comportamento destrutivo.
  • Mau desempenho na função de caça.
  • Dificuldades económicas que não permitem ter o animal.
  • O dono ou familiares são alérgicos ao animal.
  • Emigração ou mudança de residência.
  • Considerar um animal como um objecto substituível ou como um adereço de moda.

O que diz a lei portuguesa sobre o abandono animal?

Na Lei n.º 69/2014, de 29 de agosto, artigo 388º lê-se que o abandono de animais que ponham em perigo a alimentação e prestação de cuidados é púnivel com prisão até seis meses ou multa.

Como combater o abandono animal?

O abandono dos animais tem aumentado de ano para ano, provavelmente devido à crise económica. As associações e canis são insuficientes para tal número de animais e acabam por recorrer à eutanásia. Por exemplo, em 2014 foram abandonados 26 000 cães e 7 000 gatos, tendo sido eutanasiados 14 000 animais. É incomportável continuarmos com números tão elevados. Algumas medidas deveriam ser implementadas:

  • Sensibilização da população para os direitos dos animais: a população deverá ser intruída sobre os animais de forma a tratá-los como seres vivos e não como objectos, tal como é previsto na lei.
  • Desmistificação da castração dos animais: para os animais o acto sexual é apenas reprodutivo e a frustração de não poderem cumprir essa função na época do cio é mais lesiva do que a castração em si.
  • Castração de animais: implementação de incentivos e campanhas de castração de animais de companhia com o objectivo de reduzir o número de ninhadas por ano.
  • Identificação electrónica: o chip é obrigatório em animais nascidos desde 2008 mas é apenas colocado em 30% dos animais. O chip é colocado no momento da primeira vacina contra a raiva e o seu uso deverá ser incentivado. O chip permite a identificação dos donos de animais perdidos ou abandonados.
  • Aumento da fiscalização: fiscalização incidindo sobre a identificação electrónica estimula a colocação do chip.
  • Criminalização: com uma média de mais de 10 mil abandonados por ano, em 2015 apenas foram registados 13 crimes por abandono. Portanto, existe falta de punição e do seu carácter dissuasor. Por outro lado, as autoridades muitas vezes pouco fazem relativamente a crimes contra animais. A lei de protecção dos animais deveria ser aplicada com mais afinco.
  • Estimular a adopção: campanhas de adopção para que os animais nas instituições encontrem um novo lar.
  • Adopções conscientes: quando adopta um animal deve estar consciente do tempo e dinheiro que precisará de investir no animal. A decisão deverá passar pela família e deverá certificar-se que ninguém é alérgico.

O que fazer quando se encontra um animal abandonado ou perdido?

Quando vê um animal em via pública não deve admitir automaticamente que está abandonado. O primeiro passo é procurar sinais que lhe possam indicar que está perdido. Observe o aspecto do animal, se tem coleira, encontra-se limpo e bem tratado provavelmente terá sido perdido.

Deverá aproximar-se do animal com calma. O animal está desorientado e mesmo que seja meigo poderá ter comportamento agressivo por medo. Pode tentar oferecer-lhe guloseimas e falar-lhe em voz calma, tentando tocar-lhe lentamente. Depois de ganhar a sua confiança, deverá transporta-lo com uma trela ou semelhante no caso do cão, ou com uma transportadora ou caixa no caso do gato.

Inspeccione a coleira à procura de um contacto dos donos. Poderá apresentar-se na placa de identificação ou escrito directamente na coleira. Se não encontrar nenhum contacto, deverá dirigir-se a uma clinica veterinária. Nesta será realizada gratuitamente a verificação do microchip na tentativa de identificar o animal. Caso não consiga encontrar os donos poderá anunciar em sites, alertar as clínicas veterinárias da região e afixar cartazes.

Recolha o animal e mantenha-o na sua casa, clinica veterinária ou em casa de familiares. Em último caso poderá recorrer ao canil, mas como estão sobrelotados poderão não oferecer as melhores condições. Forneça água ao animal e introduza os alimentos lentamente para o corpo se adaptar.

Infelizmente muitas vezes não é possível encontrar o dono do animal. Nesse caso, deverá procurar uma nova família para o animal contactando conhecido e divulgando que o animal se encontra para adopção em clinicas e lojas de animais. Poderá contactar associações e canis, mas normalmente estas encontram-se sobrelotados.

A recolha, captura e alojamento de animais compete à câmara municipal. Qualquer abandono deverá ser reportada a esta, mesmo que pretenda ficar com o animal. Os canis municipais recebem inúmeros animais e muitos têm que recorrer à eutanásia. Por isso após reportar, é preferível tomar iniciativa para encontrar os donos ou uma nova família que recolham o animal.

11 COMENTÁRIOS

  1. Por favor preciso de ajuda tenho um bebê de 4 meses onde esteve enternado uma semana no hospital com problemas respiratórios,a questão é que tenho um cão e o médico aconselhou me a dar o cão pela saúde do meu filho mas está difícil algum canil ou pessoa focar com ele pois ele não é muito sociável o que posso fazer

    • Olá Estela,

      Acho que primeiro deve avaliar bem a decisão. Primeiro, se o cão viver no exterior não terá grande influência na saúde de uma criança dessa idade. Se o seu filho é alergico a cães então deverá considerar a opção de doar o cachorro. Caso contrário recomendava consultar outro médico primeiro. Ainda há muito preconceito sobre os animais de estimação, mas também já foi provado que ajudam ao desenvolvimento das crianças.

      É verdade que com uma criança tão pequena deverá ter algumas restrições no contacto com o cão. Não deixar meter a mão na boca nem nos genitais do animal são as duas medidas mais importantes para evitar o contacto com um elevado número de bactérias. Mas se desparasitar, vacinar e der banhos com frequência reduz em muito o risco que possa correr pelo contacto com o cão. Logo não justifica sempre dar-se o cão ou gato quando nasce um filho.

      Se realmente chegar ao ponto de ter que encontrar nova casa para o seu cachorro, procure familias de acolhimento. Entretando poderá tentar ensinar o cão a ser mais sociável para melhor se adaptar a esta mudança.

      Espero que tudo corra bem, que o seu filho melhore e que no final não tenha que doar o seu cão.

      Abraços,
      Joana Prata

  2. Eu sou vegetariana por respeito por todo os animais sem excepção. Sempre recolhi animais da rua por minha conta e arranjava novos donos sem lhes perder o rasto, quando em 2004 comprei outra casa e porque tinha um pequeno quintal intensifiquei essa minha acção, ou melhor obrigação, porque é de nossa obrigação não ficar indiferente a um animal abandonado na rua. Actualmente tenho dois, um cão e uma cadela de raça pequena, e hoje sou eu que peço ajuda para que alguém fique com eles. A minha vida deu uma reviravolta e não queria dá-los definitivamente, gostava que alguém os acolhesse aos dois e eu pagar o que necessitam, e daria também uma gratificação, valor a ser acordado por ambas as partes, porque eram acolhidos na casa da pessoa. Já tentei famílias de acolhimento, mas não está fácil, porque vem as férias e ninguém os quer. Não os quero pôr num canil e claro que não os vou abandonar, sei que o afastamento será difícil para mim e para eles também, mas não posso pensar que sou a única pessoa que ama e trata bem os animais, e até podia ser alguém que lhes dessem outras condições que eu não posso, embora o amor, o carinho, a atenção…não é preciso comprar. Às vezes penso que estou a ser egoísta, mas não no mau sentido, em não os querer dar para adopção, porque a minha situação é muito má. Eu moro na margem sul do Tejo, se souber algo, por favor ajudem-me. Obrigado, Ana

    • Olá Ana,

      Realmente encontra-se numa situação difícil relativamente aos seus animais. Poderá tentar encontrar uma família de acolhimento temporário na área ou até mesmo ponderar a colocação num hotel para cães como se trata de uma entrega temporária. Entraremos em contacto consigo por email para saber da situação em mais detalhe e tentar ajudar.

      Abraços,
      Joana Prata

  3. Olá sou a Beatriz só mesmo um idiota sem ofença e que abandona um animal pois quando eu estava a passear pela rua i um gato a ser atropelado pois lenbrenbe e liguei para clínica veterinária da religião pois o gato estava ferido de uma pata pois eu adotei- o é nese mesmo dia a clinica veterinária ligou-me e perguntou-me se eu desejava adotar este gato e eu claro que fosse que sim

    • Olá Beatriz,
      Ainda bem que existem pessoas que cuidam dos animais abandonados e os chegam a adoptar. Acho que devemos liderar pelo exemplo e dar a formação necessária a todos os donos para que um dia deixemos de ter animais abandonados.
      Abraços,
      Joana Prata

  4. Preciso muito de ajuda, não sei o que fazer com meu cão, é um labrador de nove meses ,tive que mudar para ficar próximo ao trabalho ,e o deixei com minha sogra que lhe cuidava muito bem ,agora ele está comigo num apartamento muito pequeno, e ele não para de latir não fica sozinho ,estou tendo muita reclamação dos vizinhos que já me levaram a administração, não sei o que faço por favor me ajudem

    • Olá Dali,
      Tem um cachorro jovem que pode ser educado, experimente as nossas técnicas para evitar que ladre e o treino básico que permitem tornar o cão mais calmo e estímulá-lo física e mentalmente. Se vive em Portugal, a lei protege os donos com animais. Pode ainda tentar arranjar uma família de acolhimento temporário enquanto resolve a sua situação.

      Abraços,
      Joana Prata

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