Prolapso (da Glândula) da Terceira Pálpebra em Cães e Gatos

O que é a glândula da terceira pálpebra?

A terceira pálpebra, ou membrana nictitante, é uma cartilagem em T coberta por conjuntiva que se encontra no canto medial do olho. A membrana nictitante move-se sobre o olho devido à retração do olho e contração de músculos lisos. A glândula da terceira pálpebra encontra-se na base da cartilagem, enquanto os folículos linfoides estão presentes na sua superfície. A terceira pálpebra ainda pode apresentar uma cor escura devido a uma pigmentação natural.

A função da terceira pálpebra é proteger o olho e espalhar uniformemente a lágrima sobre a córnea, a camada externa do olho. A glândula da terceira pálpebra, na base da cartilagem, contribui com 30 a 50% da produção de lágrima. Ainda tem uma função protetora ao libertar imunoglobulinas para a pálpebra, protegendo-a de infeções.

O que é o prolapso da terceira pálpebra em cães e gatos?

Nos cães e gatos, pode existir o prolapso da terceira pálpebra sobre a córnea quando existe uma irritação ou uma lesão que ocupe espaço. O prolapso da terceira pálpebra pode ocorrer em um ou nos dois olhos. Quando a patologia ocorre em ambos os olhos é provável dever-se a problemas gerais, enquanto que unilateral se poderá dever a um problema localizado. Nos cães, o prolapso ainda se pode dever à perda de peso ou desidratação.

O que causa o prolapso da terceira pálpebra em cães e gatos?

  • Prolapso da glândula da terceira pálpebra (“olho de cereja”): assemelha-se à protrusão da terceira pálpebra mas deve-se à inflamação da glândula da terceira pálpebra;
  • Protrusão da terceira pálpebra: por movimento anormal da cartilagem em T;
  • Dor no olho: como na úlcera da córnea;
  • Simbléfaro: adesão da terceira pálpebra à córnea como resultado de lesão química ou da ação do herpesvirus felino (Coriza);
  • Síndrome de Horner: perda do tónus muscular por lesão nervosa;
  • Conjuntivite: inchaço devido à inflamação;
  • Exoftalmia: o movimento do olho para o exterior pode expor a membrana;
  • Cancro da terceira pálpebra: como carcinomas das células escamosas ou linfossarcomas;
  • Infeções: reação granulomatosa por infeções ou corpos estranhos no olho;
  • Corpo estranho: protrusão da terceira pálpebra, conjuntivite e secreções devido a um objeto preso atrás da terceira pálpebra

Em casos que afeção bilateral, as causas poderão incluir o estado fisiológico, aplicação de medicamentos, síndrome de Haws, disautonomia, tétano, perda de peso e desidratação, parasitose entre outras.

Como se diagnostica o prolapso da terceira pálpebra?

O terceira pálpebra normalmente não é visível no gato e é difícil de ver no cão, principalmente quando pigmentada. A terceira pálpebra torna-se visível quando está inflamada ou está presente uma massa. Como vimos anteriormente, existem vários motivos pelos quais a terceira pálpebra se pode tornar visível. Portanto é necessário fazer um diagnóstico detalhado.

O médico veterinário fará uma observação direta da pálpebra. A história recente do animal pode revelar outros sinais, aplicação de medicação ou falta de desparasitação. O exame geral poderá demonstrar outros sinais que ajudem a explicar o prolapso da terceira pálpebra. Segue-se um exame mais dirigido ao olho, e por fim, um exame detalhado à terceira pálpebra após anestesia do olho avaliando a sua superfície e a presença de irregularidades.

Tratamento do prolapso da terceira pálpebra

O tratamento do prolapso da terceira pálpebra depende da sua causa. Assim, torna-se importante fazer um diagnóstico correto. Se a protrusão impedir a visão, poderá ser considerada a cirurgia de redução da terceira pálpebra onde se remove uma elipse no seu centro tornando-a menos proeminente. No entanto, a cirurgia pode interferir com a função da membrana da terceira pálpebra, impedindo-a de produzir lágrima e causando olho seco (ou até ceratoconjuntivite seca).


O que é o prolapso da glândula da terceira pálpebra em cães e gatos?

O prolapso da glândula da terceira pálpebra apresenta-se como a tumefação e deslocação da glândula da terceira pálpebra. É observável no canto do olho uma massa vermelha e inchada, conhecida por “olho de cereja” (cherry eye em inglês), resultante da inflamação da glândula da terceira pálpebra. Ainda poderá estar presente excesso de lagrima, secreções mucosas ou purulentas e conjuntivite. O prolapso pode ser unilateral ou bilateral e pode causar desconforto.

A maior tumefação ocorre em curtos períodos, numa fase aguda. No entanto, mesmo havendo retrocesso, a terceira pálpebra mantém-se prolapsada. Apesar do caráter crónico, não apresenta sinais desfavoráveis. O tratamento passa por uma sutura à borda orbital ou excisão parcial. O risco passa pela redução da produção de lágrima pela membrana da terceira pálpebra, que pode causar olho seco.

Pensa-se que o prolapso da glândula da terceira pálpebra se deva a uma inflamação prévia ou à fraqueza dos tecidos conjuntivos que seguram a glândula na sua posição normal. A fraqueza dos tecidos conjuntivos permite que a glândula se mova e apareça na margem da terceira pálpebra.

Esta fraqueza, poderá ser hereditária e genética, mas ainda não foi possível prová-lo. No entanto, algumas raças como o Beagle, Cocker Spaniel, Boston Terrier, Caniche, e raças braquicefálicas como o Buldog Francês e Buldog Inglês parecem sofrer com maior frequência de prolapso da glândula da terceira pálpebra. O prolapso é mais comum em cães, principalmente em animais jovens.

Como tratar o prolapso da glândula da terceira pálpebra em cães e gatos?

Inicialmente, os médicos veterinários tentaram corrigir o prolapso da glândula da terceira pálpebra removendo-a cirurgicamente. Como a glândula da terceira pálpebra é responsável pela produção de 30 a 50% da lágrima, este procedimento resultou na diminuição da produção de lágrima que pode causar olho seco (ceratoconjuntivite seca).

Por isso, agora é recomendado fazer-se o reposicionamento cirurgico da glândula da terceira pálpebra no seu local original (no interior ventral da terceira pálpebra). A cirurgia do prolapso da glândula da terceira pálpebra é o tratamento definitivo. Durante a cirurgia, a glândula é cuidadosamente reposicionada e suturada no seu local original, mantendo a sua função na produção de lágrima.

Existem dois métodos de fazer o reposicionamento da glândula: o de ancoragem e o do bolso. Na ancoragem, suturas são utilizadas para reposicionar a glândula. Na técnica do bolso, fazem-se duas incisões na terceira pálpebra que quando suturadas juntas puxam a glândula para o seu local original.

Estas técnicas de reposicionamento são definitivas e melhor sucedidas do que a remoção da glândula ou tratamento médico com antibióticos e corticosteroides. O tratamento correto do prolapso é essencial, uma vez que quanto mais tempo estiver exposta menor a probabilidade de sucesso da correção. O prognóstico é bom quando é feito o tratamento correto e rápido desta patologia.

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