Conheça o Rafeiro do Alentejo: Nobre, leal e dócil

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Os cães da raça Rafeiro do Alentejo são cães portugueses que poderão ter tido a sua origem em Molossos provenientes da região da Ásia Menor. Tendo em consideração o seu tamanho e coragem, acredita-se que foi utilizado pelas tribos que criavam rebanhos como forma de subsistência.

O Rafeiro do Alentejo é um fantástico companheiro dos pastores que, ainda hoje, recorrem ao seu trabalho muito devido ao seu temperamento dócil, confiável, trabalhador, protetor da família e do gado.

Num ambiente familiar onde o Rafeiro do Alentejo esteja bem integrado, é um animal extremamente ternurento, em particular com crianças. O preço atual do Rafeiro do Alentejo varia entre os 100 e os 250 €.

 

História ● CaracterísticasComportamento ● TreinoCuidados

 

Perfil do Rafeiro do Alentejo:

  • Grupo: Cães de Montanha;
  • Tamanho: 66 a 74 cm (macho); 64 a 70 cm (fêmea) ;
  • Peso: 45 a 60 kg (macho); 35 a 50 kg (fêmea);
  • Temperamento: Dócil, confiante e trabalhador;
  • Vulnerabilidade: Displasia da anca;
  • Tamanho: Grande;
  • Exercício: 1 a 2 hora por dia (moderado);
  • Pêlo: Curto a Médio;
  • Cuidados: Escovagem uma vez por semana e na muda de pelo;
  • Perde pelo: Pouco;
  • Cão de campo ou cidade: Campo;
  • Tipo de casa: Pequena ou grande;
  • Tipo de jardim: Grande, preferencialmente terreno de pasto;
  • Esperança de vida: mais de 10 anos.

 

 

História do Rafeiro do Alentejo

O corpulento molosso originário da Ásia terá penetrado na Península Ibérica e noutros pontos da Europa. Aí ter-se-á cruzado com outros tipos de raças já existentes. Os animais de grande porte existentes na Península Ibérica, mesmo antes das invasões Celtas, defendiam os rebanhos das tribos que aí habitavam não só de tribos vizinhas como também de outros predadores.

Com o surgimento da transumância (migração periódica de rebanhos), esta levou à deslocação temporária de grandes rebanhos, ficando estes assim expostos a diversos perigos durante a caminhada. Durante esses trajetos, os rebanhos eram acompanhados por cães de grande corpulência, o que terá dado origem à sua disseminação ao longo do percurso pelas regiões das terras do Douro até às planuras Alentejanas. Muitos acreditam que estes percursos constituíram o principal alicerce que explica a presença deste tipo de cão a Sul do Rio Tejo.

Assim, pensa-se que que estes poderosos cães amastinados ter-se-ão fixado em zonas pastoris, tendo dado origem a diversas raças de molossos ibéricos que ainda hoje existem, entre elas o Mastim Espanhol, o Mastim dos Pirinéus, o Cão da Serra da Estrela e finalmente o Rafeiro da Alentejo.

A documentação histórica sobre o Rafeiro do Alentejo não é abundante, no entanto consta que o rei D. Carlos possuía inúmeros animais da raça que, no seu solar localizado no Alentejo, procedia às montarias e outras espécies de caça grossa.

Sabe-se que o nome “Rafeiro do Alentejo” (ou Rafeiro Alentejano) é utilizado desde o fim do século XIX. Esta designação foi potencialmente atribuída pela população, pois este era um cão comum naquela região.

Apesar da sua versatilidade e aptidão para o trabalho, o número de exemplares do Rafeiro Alentejano acabaria por decrescer violentamente, levando quase à sua extinção, muito derivado de alterações politicas e sociais em Portugal.

No entanto, em meados dos anos 80, surgem inúmeros defensores e criadores da raça, com o intuito de recuperar a raça que estava quase extinta. Foi desenvolvido um trabalho de recuperação da raça e, com o passar dos anos, o Rafeiro do Alentejo foi devolvido às planícies alentejanas, fazendo-se acompanhar pelo gado e não só, e sendo mais um dos muitos casos de sucesso como cão de companhia e guarda em ambiente familiar e profissional.

O Rafeiro do Alentejo foi aceite na FCI (Federation Cynologique Internationale) em 1954, sendo que o primeiro registado no Livro de Origens Português (LOP) remonta a Novembro de 1934.

Características do Rafeiro do Alentejo

O Rafeiro Alentejano apresenta uma cabeça volumosa, de orelhas a média altura dobradas e pendentes e com cauda espessa na base que pode ser ligeiramente encurvada ou voltada na ponta. O corpo é possante e bem musculado. Apresenta ainda pelo curto ou de meio comprimento e exibe uma cor preta, lobeira, amarela ou dourada.

A cabeça do Rafeiro do Alentejo é volumosa, de aspeto sólido, mais larga na ponta posterior do crânio e o contrário na parte anterior. As faces laterais são musculadas e o seu chanfro apresenta uma base larga e alta, diminuindo até à extremidade anterior. A sua cabeça é proporcional à sua corpulência. Exibe lábios de espessura média, firmes, ligeiramente curvos à frente e ainda maxilas fortes, bem desenvolvidas e a sua dentição apresenta-se com incisivos em tesoura.

Os seus olhos, de expressão calma e confiante, são pequenos e castanhos (preferencialmente devem ser mais escuros). Possui orelhas pequenas, de comprimento igual ou ligeiramente superior à sua maior largura e base estreita. Ostentam uma inserção média e pouco móvel. Apresentam-se ainda dobradas e pendentes na sua posição natural, sendo triangulares e arredondadas nas pontas.

O pescoço do Rafeiro Alentejano é direito, curto, bem ligado, forte e com barbela regular e simples no sentido longitudinal. Apresenta um pescoço adequado à sua corpulência. O seu peito é ligeiramente menos do que metade da altura do garrote, sendo este largo e bem descido. As suas patas são fortes e afastadas. O seu movimento é pesado, lento e ligeiramente bamboleante.

A sua cauda é naturalmente grossa na base, comprida, podendo ser encurvada ou voltada na ponta, mas não quebrada. Em repouso, cai entre as suas pernas, no entanto, quando entra em ação, pode levantar e enrolar nem que esta se encontre apoiada.

A pele do Rafeiro Alentejano é grossa e pouco laxa, com as membranas mucosas preferencialmente sempre mais escuras. O seu pelo é curto ou, preferencialmente, meio comprido, grosso, liso e denso, e distribuído de forma regular. A sua cor pode variar entre a cor preta, lobeira, dourada ou amarela, raiada ou não, sempre malhada de branco, ou então, cor branca malhada daquelas cores.

Temperamento e personalidade do Rafeiro do Alentejo

O Rafeiro do Alentejo, com origem na guarda de rebanhos, é um excelente protetor de herdades, quintas e dos seus rebanhos. É um cão extremamente inteligente cujo adestramento é geralmente feito quando é colocado com outros cães. Devido as suas características de lealdade, calma e proteção, é um excelente cão de guarda e também cão de família.

Os Rafeiros Alentejanos são tranquilos, zelosos, autoconfiantes, que exibem uma relação muito forte e próxima com o dono e família. São um ótimo animal de companhia para crianças, adultos e idosos devido ao seu temperamento calmo, dócil e muito tolerante.

Astutos e ponderados

Como cães de guarda, os Rafeiros do Alentejo são cães nacionais de características exemplares. Doceis, confiáveis, trabalhadores e protetores de gado e da sua família e território. Apesar de ser um animal muito trabalhador, é bastante eficaz no gasto de energia e pondera as suas ações no âmbito da sua atividade de guarda, daí ser muito difícil ensinar truques que não apresentem utilidade para o seu trabalho. Como o seu papel é de observador e não os pastoreia, este está habituado a caminhar ao ritmo do rebanho.

O Rafeiro do Alentejo, apesar de não ser bastante ativo, necessita apenas de um passeio diário de media ou longa duração. Eles adoram a atenção do dono e da família, portanto ceda algum do seu tempo para algumas brincadeiras e corridas. Tal como qualquer animal de grande porte, estes não devem ser exercitados em demasia quando pequenos.

Treinar o Rafeiro do Alentejo

O treino do Rafeiro Alentejano é muito complicado, não é uma raça adequada a um dono inexperiente ou com dificuldades de gestão da balança entre o afeto e a educação pois não é fácil de treinar. Apesar de ser um cão extremamente carinhoso e leal para com o dono, continua a ser um cão consciente da sua força e corpulência. O dono tem de ser firme no treino do Rafeiro do Alentejo e impor a sua liderança com assertividade e delicadeza. É necessário que o dono esteja consciente que está perante um animal com carácter dominante, teimoso e independente, por isso deve ser paciente e consistente no seu treino. Conheça também 4 comandos básicos que deve sempre treinar com o seu cão.

Apesar do Rafeiro do Alentejo ser um cão muito sociável, devido ao seu amadurecimento tardio, por volta dos 4 anos de idade, ele deve ser apresentado desde cedo à família e especialemente a outros animais.  Conheça também 4 comandos básicos que deve sempre treinar com o seu cão

Cuidados a ter com o Rafeiro Alentejano

Abrigo

O Rafeiro do Alentejo é um cão de guarda que adora dormir no exterior e está adaptado a climas frios, no entanto carece de um abrigo onde possa dormir.

Alimentação

Apesar do Rafeiro Alentejano ser um cão de trabalho no campo, o seu dispêndio de energia pode não ser o maior. É necessário controlar a sua alimentação mediante o gasto calórico e atividade física, sob pena de sofrer mais tarde de obesidade entre outras doenças. A alimentação ideal será composta entre 1 a 3 refeições diárias. Se verificar um aumento de peso então é necessário ajustar a quantidade alimento que este ingere.

Pelo

Apesar de ser um animal com pelagem curta a média e de não exigir uma especial atenção, o Rafeiro do Alentejo deve ser escovado 1 vez por semana e também na mudança de estação para aliviar o desconforto da mudança de pelagem. O controlo básico de parasitas também é essencial.

Otites

Existem diversos relatos que esta raça sofre de otites num número superior ao esperado. Se notar que o seu animal demonstra algum desconforto nas orelhas, coçando ou abanando a cabeça, então pode estar perante uma infamação no canal auditivo (otite). É necessário um maior cuidado e higiene redobrada no que toca à pelagem e ao pavilhão auricular, no sentido de detetar alguma irregularidade e reduzir o risco de que esta patologia volte a ocorrer.

Displasia da anca

É uma doença que afeta a articulação coxo-femoral do animal. É uma situação problemática pois pode originar artroses e consequentemente dor. A displasia da anca pode afetar qualquer cão, no entanto, os cães de grande porte como é o caso do Rafeiro do Alentejo, sofrem mais facilmente desta patologia.

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