10 Problemas de bem estar animal em cães que podemos evitar

Os cães sofrem de inúmeras ameaças ao bem estar: desde ansiedade, a distúrbios nutricionais, doenças genéticas e atividades como lutas entre cães. O bem estar animal é avaliado através das cinco liberdades.

Baseando-se no impacto para os cães, especialistas de várias áreas da medicina veterinária conseguiram escolher os 10 problemas de bem estar nos cães mais comuns. Aprenda quais são para que o seu cão nunca tenha que passar por nenhum deles.

 

Maneio inapropriado e falta de condições

A maioria dos cães vivem confortáveis. No entanto, existem situações em que as condições do ambiente não são apropriadas para o cão.

Por exemplo, um cão de raça grande necessita de espaço e de fazer exercício. Um cão de raça grande que viva em apartamento vai necessitar que o dono o leve a passear para fazer exercício, como correr. Logo, neste casos torna-se mais fácil não proporcionar as condições adequadas às necessidades do nosso cão.

Outro exemplo é a estimulação com brinquedos que permitem que o cão exprima os seus comportamentos naturais. Temos sempre que estar atentos às necessidades do nosso melhor amigo, para lhe possamos proporcionar sempre o melhor.

 

 

Conhecimento do dono

O conhecimento do dono sobre as necessidades do seu animal é um dos factores mais importantes. Isto porque influencia todos os outros problemas. Por exemplo, se o dono não souber que é necessário fazer socialização do seu cão, é provável que o cão desenvolva problemas de comportamento. Por isso é muito importante que o dono procure sempre saber mais sobre os cuidados a ter com o cão, como através do nosso site.

 

Comportamentos desagradáveis

Os comportamentos desagradáveis, para além de incomodarem o dono, são o resultado de uma falta de equilíbrio interno no cão. Muitas vezes são resultado da expressão de comportamentos naturais, como o morder.

Estes comportamentos devem ser geridos pelo dono através de um treino positivo de forma a encontrar um equilíbrio que beneficie ambos. Por exemplo, o ladrar é um inconveniente para o dono e pode representar problemas de ansiedade de separação ou simplesmente territorial. A forma de tratamento mais simples é retirar o estímulo que leva o cão a ladrar (ex. se o cão ladra à janela quando passam outros cães, fecha-se a janela). Mas existem outros tratamentos mais controversos, como a remoção das cordas vocais que impedem um comportamento normal do cão.

Por vezes, faz-se um tratamento com medicações psicoativas ou fecha-se o animal numa jaula em cães que exprimam comportamentos desagradáveis ao dono, pondo em causa o bem estar. A única forma ética de controlar os comportamentos desagradáveis é através do treino repetitivo, tanto o treino básico, como específico para minorar o problema comportamental do cão.

 

Socialização inapropriada

Nem todos os donos sabem que é preciso apresentar os cães a outras pessoas e animais para que não os veja como ameaça (socialização). Isto deve ser feito principalmente em idades jovens, uma vez que se torna mais difícil com o avançar da idade.

Se o dono falhar na socialização, é possível que o cão desenvolva fobias ou comportamentos agressivos contra certos humanos e animais. Por exemplo, o cão pode naturalmente correr atrás de gatos, mas se ensinarmos o cão a comportar-se na presença de gatos desde tenra idade não exibirá este comportamento. A falta de socialização acaba por causar stress ao nosso amigo e ao dono.

 

Doenças genéticas e conformacionais

A maioria destas doenças está relacionada com a raça. Por exemplo, a displasia da anca é frequente na raça Pastor Alemão devido à seleção genética para membros posteriores mais curtos, o que aumenta o stress na articulação.

Outro exemplo bem conhecido é do síndrome dos cães braquicefálicos que resulta em dificuldades respiratórias devido ao encurtamento dos ossos do focinho. Estas patologias são o resultado da pressão seletiva do ser humano. Causam dor e desconforto aos animais. Poderão ser evitadas através de programas de reprodução que respeitem a saúde animal.

 

Problemas nutricionais e obesidade

Os donos devem ser rígidos na alimentação se não querem que existam desequilíbrios nutricionais. Poderão ser deficiências em certos nutrientes, principalmente quando se tratam de dietas caseiras ou dietas de carne crua.

Ou poderá ser um excesso de calorias que origina obesidade, que resulta em problemas de saúde graves. Ambos os extremos (falta ou excesso de alimento) são ameaças ao bem estar animal.

Para quem utiliza ração comercial, a forma mais fácil é seguir as indicações da dose diária para o nosso cão e reduzir as guloseimas ao mínimo. Para quem segue uma dieta caseira ou alternativa, deverá certificar-se que a alimentação fornece todos os nutrientes de forma equilibrada.

 

Falta de identificação

Ainda existem muitos cães sem qualquer identificação. Isto implica que se o animal se perder poderá ser difícil entregá-lo ao dono. A identificação por chip é obrigatória para todos os cães portugueses. Permite lançar um alerta pelo dono quando perder o cão e permite que qualquer clínica veterinária ou canil possam identificar o seu dono.

Outras formas de identificação incluem discos identificativos com o contacto do dono que são colocados na coleira ou localizadores de GPS para animais (que permitem saber sempre a localização do animal). Um cão perdido, mesmo que recolhido por um benfeitor, está numa situação estranha que põe em causa o seu bem estar. Logo deverá garantir que o seu animal está identificado, para que regresse prontamente a casa e não seja mais um número no abandono de cães em Portugal.

 

Doenças dolorosas ou com redução da mobilidade

Doenças como a osteoartrite são simultaneamente dolorosas e limitadoras da mobilidade. Logo, são uma ameaça ao bem estar animal porque põem em causa o animal estar livre de dor e livre para expressar os seus comportamentos naturais. Os donos deverão tomar as devidas precauções (ou fazer os tratamentos) para que o animal não sofra destas doenças.

 

Falta de tratamento veterinário

Infelizmente a falta de tratamento veterinário ainda é uma realidade. Deriva de três fatores: o dono não sabe quando o animal está doente, o dono não tem possibilidades de pagar o tratamento veterinário ou o dono não tem qualquer interesse na saúde do seu animal.

A única forma de o dono saber quando o animal está doente é conhecendo o seu próprio animal e aprendendo sobre saúde animal (o que tentamos proporcionar no nosso site).

Em relação à falta de pagamentos, a maior parte das clínicas veterinárias consegue chegar a um compromisso sobre o pagamento do tratamento adequado às possibilidades do dono (optando por tratamentos mais baratos ou fazendo às prestações). Uma opção melhor é fazer um seguro de saúde animal que cubra os imprevistos, como doenças ou acidentes.

Aumentar o interesse do dono na saúde do seu animal só pode ser conseguido através da educação de que os animais são seres vivos sensíveis e merecem viver uma vida livre de sofrimento e doença.

Na Europa e América do Norte, a eutanásia também é considerada ética se o animal não conseguir ter uma vida normal (ex. se não tiver mobilidade) e não é uma ameaça ao bem estar se o procedimento não causar dor nem medo.

 

Crueldade animal

Infelizmente ainda há muita crueldade animal. Desde agressões à exploração inumana do melhor amigo do homem (que o acompanha há mais de 10.000 anos!). Podem incluir lutas de cães, cães reprodutores que vivem em más condições e até o próprio abandono animal.

Muita da crueldade tem origem na discriminação dos animais como seres inferiores ao ser humano, sem sentimentos nem direitos. Felizmente, a sociedade cada vez mais vê os animais como seres vivos que merecem respeito (como na última lei em Portugal que considera como seres vivos sensíveis). Maior sensibilidade para o respeito pelos animais virá com as novas gerações.

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